Reacções divergentes

Sócrates diz que golden-share foi "essencial para excelente negócio", oposição faz novas críticas

"A defesa intransigente do interesse estratégico foi absolutamente essencial para que a PT pudesse fazer um excelente negócio." O primeiro-ministro congratulou-se com o acordo e a alternativa alcançada à presença da Portugal Telecom [PT] na Vivo. Mais do que os valores da venda de metade da empresa brasileira, José Sócrates destacou a entrada na Oi, uma empresa "com mais clientes e mais facturação".

Na mente do líder do Executivo estão as possibilidades de crescimento da Oi em termos de banda larga no Brasil. Para Sócrates fica salvaguardada "a dimensão internacional da PT, a escala da PT, a presença da PT num mercado tão importante como o brasileiro e, sobretudo, confirma-se a vocação internacional da PT e a sua vocação para desenvolver projectos industriais e de inovação tecnológica neste sector."

Ainda que a Vivo seja a empresa dominante em termos de comunicações móveis, a convicção do Governo é que será a Oi a liderar a expansão dos serviços de Internet no Brasil, permitindo assim à PT manter-se como um "actor global no mercado da América Latina".

Horas antes já o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações tinha usado os mesmos argumentos para defender o acordo. Segundo António Mendonça, com o desfecho alcançado, os "objectivos estratégicos" e a presença da PT no Brasil, através da participação na Oi, "mantêm-se", e "tudo aquilo que estava relacionado com a manutenção das capacidades, das competências da PT, em matérias de investigação, de inovação, de escala, está assegurado".

O PSD reagiu ao negócio, acusando o Governo de ter "mudado de posição" quanto ao uso da golden-share na compra da parte da PT na Vivo pela Telefónica: "Quando temos uma posição coerente sentimo-nos evidentemente confortáveis na explicação das nossas posições, aquilo que percebemos hoje é que não acontece o mesmo com aqueles que decidiram mudar de posição perante um negócio que é basicamente o mesmo que estava a ser negociado há algumas semanas", afirmou o deputado social-democrata Pedro Duarte.

O PCP reagiu ao negócio classificando-o como "um acto de capitulação dos interesses nacionais determinado pelos interesses dos principais accionistas privados da PT". E lembrando que com a troca pela Oi, a PT ficava a perder: "O acto de alienação da Vivo com uma futura presença na Oi (empresa sem qualquer equiparação do ponto de vista estratégico à agora alienada, bem como a futura posição desvalorizada da PT na Oi, face à actual posição determinante na Vivo)."

Helena Pinto, deputada do BE, preferiu questionar-se sobre o facto de Sócrates não usar o seu poder de veto mais vezes: "O mesmo [Governo] que diz que a golden-share é boa na PT e funciona para defender o interesse público, prepara-se para encetar um ruinoso processo de privatizações, sobretudo em empresas do sector energético, que são empresas estratégicas", criticou.

Já a deputada do CDS-PP Assunção Cristas se escusou a comentar o acordo a que a Portugal Telecom chegou com a Telefónica, sublinhando tratar-se de "negociações entre empresas privadas". "Trata-se do desenvolvimento de negociações entre empresas privadas. O CDS considera que, do ponto de vista político, não há muito mais a dizer", afirmou.

O ex-líder do PSD Luís Filipe Menezes comentou o negócio afirmando que "o patriotismo do Governo caiu em 15 dias por 300 milhões de euros".

Por isso se "devia explicar o que aconteceu para alterar a sua visão de forma tão radical".

Paulo Costa acusou, em resposta, o PSD de omissão: "O PSD e o doutor Luís Filipe Menezes não estão a ser sérios e estão a omitir a principal diferença [para a venda da participação na Vivo à Telefónica] que não é o preço, mas sim a existência de uma alternativa que foi encontrada", disse o secretrário de Estado das Obras Públicas e Comunicações de José Sócrates