Torne-se perito

Infecção com Vírus do Nilo Ocidental em Portugal está a ser investigada desde dia 14

Já foram realizadas mais de duas dezenas de análises a amostras que envolvem grandes quantidades de mosquitos
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Já foram realizadas mais de duas dezenas de análises a amostras que envolvem grandes quantidades de mosquitos

O provável caso de infecção por vírus do Nilo Ocidental, divulgado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) na sexta-feira, foi ontem dado como "praticamente confirmado" pelo subdirector-geral da Saúde, José Robalo. Apesar de, até à data, se tratar de um caso isolado, esta suspeita motivou um reforço da Rede de Vigilância de Vectores, coordenada pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA). A área de residência do doente - um adulto da região de Lisboa e Vale do Tejo - está, desde o dia 14 deste mês, a ser alvo de uma intensa monitorização que envolve a captura e análise de mosquitos (cuja picada pode transmitir a doença). Até ontem, ao final do dia, não tinha sido detectado nenhum mosquito infectado.

A DGS lançou o alerta de saúde pública sobre a investigação de "um caso provável de doença humana por vírus do Nilo Ocidental, na Região de Lisboa e Vale do Tejo", no final da semana passada. Porém, segundo o INSA, pelo menos desde o dia 14 deste mês que a área de residência deste doente está a ser vigiada, tendo sido realizadas mais de duas dezenas de análises a amostras que envolvem grandes quantidades de mosquitos. "Foram encontradas 11 espécies diferentes de mosquitos na zona de residência do doente, mas, até agora, nenhum caso positivo da presença de vectores do vírus do Nilo Ocidental", refere José Malheiros, especialista dedicado a esta rede de vigilância no INSA que já funciona há alguns anos.

Sobre o caso de infecção detectado, sabe-se apenas que o doente é um adulto, residente na região de Lisboa e Vale do Tejo, que não terá viajado recentemente para fora do país e que terá manifestado a doença na sua forma mais grave (mais rara). No entanto, José Robalo faz questão de sublinhar que não há qualquer razão para preocupação, recordando que o risco de se ser infectado por este vírus é muito baixo. "Esta doença não se transmite de pessoa a pessoa, mas apenas através de picada de mosquitos infectados com aquele vírus, e nem todos os mosquitos infectados conseguem transmitir a doença", explica. Por outro lado, quando se verifica uma transmissão do vírus, em 80 por cento dos casos os doentes não têm quaisquer sintomas ou apenas "algo muito leve, que pode ser confundido com uma gripe". "As manifestações mais graves da doença são muito raras", nota. Apesar deste vírus ser muito pouco comum na Europa, os especialistas têm alertado para um possível regresso deste tipo de doenças (nas quais se inclui ainda a malária, entre outras) devido às alterações climáticas. Um dos projectos europeus sobre este problema chama-se EDEN e envolve Portugal.

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