Incêndio na escarpa das Fontainhas destruiu 20 casas abandonadas

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Os bombeiros precisaram de mais de 50 mil litros de água para conter as chamas paulo pimenta

O local estava praticamente desabitado desde a derrocada de 2001 na escarpa do Passeio das Fontainhas. A casa de Rosária, a única habitante do bairro, foi a única que se salvou

A casa de Rosária de Jesus Silva, nas Fontainhas, no Porto, já sobreviveu a uma derrocada e a inúmeros incêndios. Mas nada deixou aquela mulher tão "preocupada" como o fogo que ontem alastrou a toda a encosta, destruindo quase tudo o que restava de cerca de 20 casas devolutas, mas deixando a sua incólume.

Rosária Silva, de 65 anos, habita a escarpa há 21 anos e é a última moradora deste bairro com vista para o rio: a derrocada de 2001 obrigou a realojar todos os seus vizinhos e apenas ela se manteve porque a sua era a única casa com condições mínimas de habitabilidade. Quando a moradora chegou a casa, trazida por um carro de polícia, a quem recorreu quando soube do incêndio, já os bombeiros combatiam um vasto incêndio por toda a encosta.

E foram precisamente as ruínas das casas abandonadas após a derrocada de há nove anos que ontem foram consumidas pelo fogo. Mas, apesar de em ruínas, Antero Leite, que chefiou as operações de combate ao incêndio, garante que o risco de derrocada das casas atingidas não aumentou com o fogo de ontem.

O presidente da Junta de Freguesia da Sé, José Teixeira, coloca a hipótese de "o fogo ter sido posto", até numa "espécie de vingança, por alguns traficantes e toxicodependentes", nas traseiras e em volta da casa de Rosária Silva. José Teixeira garante que quase todas as noites os seguranças do parque de estacionamento da Rua do Duque de Loulé, na parte superior da mesma encosta, têm de chamar a polícia e muitas vezes os bombeiros. De resto, anteontem, um outro incêndio, mas sem danos, "chegou a aquecer as paredes da casa da maradora das Fontainhas, mas do lado oposto. A origem de ambos os incêndios está, todavia, ainda por apurar.

O incêndio foi combatido durante toda a tarde pelas três corporações de bombeiros do Porto (Sapadores, Voluntários Portuenses e Voluntários do Porto) que, ao todo precisaram de mais de 50 mil litros de água para debelar as chamas. Embora no local existisse uma boca-de-incêndio, os bombeiros tiveram mesmo de proceder a vários reabastecimento na Rua de Gonçalo Cristóvão porque, nesse local, há um posto de alta pressão que permite que o autotanque fique cheio em muito menos tempo.

Os bombeiros receiam que novos focos de incêndio ressurjam nos próximos dias: "Vai ser a semana toda nisto", desabafava um bombeiro sapador.