Provas do BCE

Mais 15 bancos falhavam se o teste assumisse default da dívida

Bancos gregos e caixas espanholas seriam os mais penalizados. Os quatro bancos portugueses testados continuariam a resistir

Se os testes de resistência realizados a 91 bancos europeus tivessem sido mais exigentes, sujeitando as instituições a um cenário (considerado como possível por diversos analistas) de incumprimento parcial do pagamento da dívida pública por algum Estado europeu, os bancos a chumbar seriam 22 e não sete. O cálculo é feito pelo departamento de research do Barclays Capital, que conclui também que os bancos portugueses continuariam, mesmo neste cenário mais difícil, a superar a prova colocada pelos reguladores europeus.

No rescaldo da apresentação dos resultados dos testes de stress feita na passada sexta-feira, uma das principais críticas que têm sido feitas é a de que não é colocada como hipótese, para avaliar a resistência dos bancos a uma crise grave, de um país europeu (com maior probabilidade para a Grécia) não cumprir integralmente os compromissos que assumiu com os seus credores. A única coisa que foi feita foi estimar o impacto de uma desvalorização nos mercados das obrigações do tesouro emitidas por esses países e que os bancos assumem que têm no seu balanço de trading (ou seja, que estão prontos para a negociar a qualquer momento). Todas as outras obrigações que os bancos têm e que dizem ir manter até ao fim da sua maturidade acabam por não ser afectadas, já que o banco apenas perderia o seu valor caso o Estado que as emitiu não as amortizasse.

Vários economistas têm criticado este modelo de teste. Um deles é Nouriel Roubini, que afirma que os critérios dos testes de stress a que foram submetidos 91 bancos europeus "não são suficientemente realistas", pois não reflectem a deterioração das condições económicas, deixam de fora boa parte da dívida pública, excluindo a possibilidade de default nos países do euro. No mesmo sentido, o economista alemão Wolfgang Münchau escrevia ontem na sua coluna do Financial Times que o objectivo dos testes era apenas assegurar que só chumbavam os bancos que já se sabia que precisavam de ser reestruturados, considerando "irresponsável" o facto de os testes terem negligenciado a possibilidade de um incumprimento na dívida soberana e dizendo que "é o mesmo que um test drive a um automóvel não considerar a possibilidade de um veículo lhe aparecer de frente".

Nos cálculos do Barclays Capital, entre os 22 bancos que, no cenário mais difícil, chumbariam estariam 12 caixas de aforro espanholas e seis bancos gregos, para além de dois bancos alemães, um italiano e um irlandês. As instituições gregas e espanholas sofreriam precisamente pelo facto de serem detentoras de uma grande quantidade de títulos de dívida pública dos seus países de origem.

Os bancos portugueses também sofrem por terem uma quantidade considerável de títulos de dívida nacional. Ainda assim, mantém todos os rácios de capital (tier 1) acima dos seis por cento exigidos pelo teste. As contas do Barclays Capital dizem que o BPI passaria de 10,2 para 8,1 por cento, o BCP de 8,4 para oito por cento, a CGD de 8,2 para 7,4 por cento e o Grupo Espírito Santo de 6,9 para 6,3 por cento.

De salientar que algumas instituições não foram consideradas nesta análise, nomeadamente os seis bancos alemães que ainda não revelaram qual é neste momento a sua exposição à dívida soberana europeia.