Passos Coelho quer CGD livre de negócios como seguros e saúde e a funcionar como banco de desenvolvimento

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As empresas pertencem aos seus accionistas, sublinha Passos Coelho DANIEL ROCHA

O líder do PSD desdramatiza o eventual recurso de Portugal ao Fundo de Emergência, mas defende que o país se concentre na redução da despesa

Pedro Passos Coelho considera que a Vivo não deve ser mantida na PT a qualquer preço.

A Moody"s desceu o rating para Portugal esta semana e muitos têm admitido que Portugal tenha de recorrer ao Fundo de Emergência da União Europeia, senão mesmo ao FMI. Nesse cenário, o que teria o PSD a dizer?

Acho que o PSD já contribuiu para que não se chegasse a esse nível. A Moody"s não actualizava o seu rating sobre Portugal há cerca de 15 anos e não se esperava outra coisa. É um eco das outras agências de notação. A única vantagem é não nos deixar esquecer o que temos ainda para fazer. É importante que o país se concentre no combate à despesa. Se o fizermos, estou convencido que, a menos que haja um cataclismo externo, Portugal não necessitará de recorrer ao fundo. Mas se Portugal ou outros países tiverem necessidade de o fazer, devem fazê-lo. Ele foi criado para ser usado. O problema da Europa não é Portugal e Espanha, infelizmente é mais alargado. Se na Europa tiver de se accionar esse fundo para além da Grécia, era útil que vários países o viessem a fazer, mesmo numa situação de normalidade.

Manifestou-se contra o uso da golden share na PT, mas concordou com a decisão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) votar contra a venda da Vivo. Porquê?

Eu reafirmei que era contra a existência de golden shares. Se entendia que o Estado não devia ter poderes especiais nas empresas que privatiza, não ia elogiar a sua utilização. Sobre a PT, disse que era importante para a PT não alienar a participação na Vivo, porque é uma participação financeiramente muito boa, dá escala à PT e permite estar numa área de mercado que vai ainda crescer muito numa economia emergente como o Brasil. Mas sabemos que ela não pode ser detida a todo o custo. Eu acho que não era aquele preço. Agora, o que é estratégico para o país não é a participação da PT na Vivo. É o desemprego estrutural que tem de baixar. É saber se vamos criar condições para o crescimento económico com investimento privado ou se vamos continuar a a ter perspectivas de crescimento divergentes com o resto da Europa. Isso para nós é que é estratégico, saber se vamos continuar com a pobreza sistémica que temos ou retirar as pessoas da pobreza.

Um Governo liderado por si não defenderá as empresas portuguesas no contexto internacional?

As empresas portuguesas são importantes, mas têm os seus accionistas. Na medida em que o Estado possa ter participação nessas empresas, tem que ter uma opinião sobre essas empresas. A CGD tem uma participação na PT, mas esta, na sua grande maioria, pertence a accionistas privados. Nós precisamos de empresas robustas que acrescentem valor. É o Estado que deve entrar nas empresas e dizer o que têm de fazer? Para isso nacionaliza as empresas todas. Não