Processo a médico de António Preto foi arquivado

A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde determinou o arquivamento do processo disciplinar instaurado ao médico Edgar Chale, que decidiu engessar o braço do deputado do PSD António Preto no mesmo dia em que este compareceu perante o Ministério Público para prestar declarações e comprovar a sua assinatura, no âmbito do chamado "processo da mala".

O tratamento prestado a António Preto foi adequado, refere um relatório, com data de 2 de Junho de 2010. Diferente foi a avaliação da Ordem dos Médicos, que criticou a conduta e acusou médico de "má prática clínica" e acabou por o condenar a uma pena de censura, por ter concluído que "não terá prestado ao doente os melhores cuidados ao seu alcance".

A pedido do Ministério Público, a Ordem dos Médicos investigou a conduta do médico, que é cunhado de António Preto, que decidiu imobilizar o seu braço com gesso na sequência de queixas que seriam relacionadas com uma flebite, no dia em que foi convocado para comprovar a autoria de assinaturas. Diligências que tiveram lugar no âmbito do chamado "processo da mala" em que Preto é acusado de ter recebido 150 mil euros de empreiteiros, bem como de ter falsificado a assinatura de sua mulher.

A assistência prestada ao deputado e a terapêutica que lhe foi administrada na urgência do Hospital de Santa Marta "surtiram efeito no combate às queixas apresentadas e de acordo com a observação clínica efectuada (dor e inchaço do braço direito do primeiro/edema no antebraço direito com flebite associada)", refere agora o relatório da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde.

Sobre estes diferentes entendimentos, o bastonário da Ordem dos Médicos nota, em declarações ao PÚBLICO, que são duas entidades distintas. Enquanto a Inspecção da Saúde diz respeito ao estatuto do funcionário público, à Ordem dos Médicos compete a avaliação da prática ética e técnica dos médicos, salienta, frisando que sobre o caso concreto "não comenta".

Acusado da práticas dos crimes de fraude fiscal e falsificação no processo que ficou conhecido como o "caso da mala", António Preto continua à espera do reinício do julgamento que começou em Outubro de 2009 mas teve de ser suspenso. Outro arguido do mesmo processo decidiu interpor uma acção de impugnação fiscal e o julgamento não pode prosseguir sem a decisão dos tribunais administrativos e fiscais acerca dessa acção.