Paula Rego e José Guimarães participam no projecto Lonarte

Shilpa Gupta
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Shilpa Gupta

Conhecida pelo seu Centro de Artes - Casa das Mudas, a freguesia da Calheta aposta na dinamização artística da sua praia, através do projecto de arte pública Lonarte, para afi rmar-se como segundo maior pólo cultural da Madeira, depois do Funchal. Paula Rego e José Guimarães são alguns dos 40 criadores que participam no evento.

Coordenado por Luís Guilherme Nóbrega, impulsionador da antiga Casa das Mudas e primeiro programador do sucedâneo Centro de Artes, o Lonarte pretende "demonstrar e divulgar a expressão artística como um instrumento privilegiado de intervenção social, descentralizando as formas contemporâneas de criação através de uma iniciativa cultural realizada num local habitualmente conotado com outras actividades".

Ao longo do Verão, serão apresentados 40 projectos, de igual número de criadores que terão estampadas as suas obras em longas lonas expostas em pendões na marginal da Calheta. No auditório do Centro das Artes - Casa das Mudas, os artistas convidados falarão ao público sobre as suas criações.

A componente didáctica é algo que está subjacente a este projecto que procura retirar a arte dos contextos tradicionais e levá-la ao convívio das pessoas, diz Luís Guilherme. A diversidade de expressões (pintura, fotografi a, digital, desenho) é algo que estará sempre presente no Lonarte 10 em que participam alguns dos artistas naturais da ilha, formados na Universidade da Madeira.

Outro aspecto interessante, destacado pelo presidente do município, Manuel Baeta, é a componente social desta acção. "Os trabalhos realizados serão oferecidos à câmara pelos artistas convidados, depois postos à venda, e as verbas obtidas reverterão para os centros sociais no concelho", revela o responsável pela autarquia que promove o Lonarte. "Os artistas ficaram muito sensibilizados com esta interessante simbiose entre o lazer, a cultura e a solidariedade", frisa. Fazendo eco da posição dos participantes, o artista madeirense Rigo 23, radicado nos EUA, mostrou-se satisfeito com o resultado da iniciativa em cuja primeira série participou. "Acho que resultou, foi feliz a conjugação dos trabalhos. Surpreendeu-me pela positiva."

Os portugueses Paula Rego e José Guimarães e a japonesa Kimiko Yoshida são alguns dos artistas que participam numa das quatro fases do evento, integrando um leque de artistas amplo, não só nacionais e regionais, como de países como Índia, Indonésia, Japão, Brasil, Cuba, Espanha, Suíça e Panamá. Para a primeira série, inaugurada a 28 de Maio, foram convidados Fátima Mendonça, Ingo Giezendanner, Isabelle Faria, Marc Molk, Paulo Sérgio Beju, Rico Sequeira, Rigo 23, Rui Carvalho, Rui Sanches e Susana Figueira.

Na segunda fase do projecto, que arrancou a 3 de Julho, participam, além dos artistas do Panamá Óscar Melgar e Jesus Jaime Javier, o norte-americano Eamon Ore-Giron, o português Pedro Proença e o moçambicano Carlos Nogueira. Expõem ainda a sueca Kalle Runson, Desidério Sargo, Eamon Ore-Giron, Eko Nugroho, José Manuel Gomes, Marcos Ramírez, Ricardo Barbeito e Shilpa Gupta.