Empresários esperam retoma apesar da subida do desemprego

O clima económico continuou a melhorar em Junho. A indústria dá sinais ténues de recuperação de encomendas, o que faz os empresários crer numa maior produção nos próximos meses. E os comerciantes apostam na recuperação, ainda que o emprego continue em queda e os consumidores esperem o pior do futuro do país.

Esta é a síntese dos indicadores de clima económico e de confiança de consumidores e empresários, de Junho passado, lançados ontem pelo INE. A sua nota refere que o indicador de clima económico, baseado nas opiniões dos empresários da indústria, construção, comércio e serviços, "aumentou ligeiramente em Junho, mantendo a trajectória ascendente" desde Maio de 2009, e "registando o valor mais elevado desde Setembro de 2008".

Uma evolução em linha com o indicador de confiança na zona euro que, segundo a Comissão Europeia, subiu de 98,4 em Maio para 98,7 em Junho passado, quando o painel da agência Bloomberg previa uma descida.

Em Portugal, a subida do indicador deveu-se sobretudo à evolução do comércio a retalho. Os comerciantes acham que a actividade deverá melhorar nos próximos três meses. Mas a situação actual é negativa. Para os próximos três meses, os retalhistas acham que tudo continuará no vermelho, à excepção dos preços.

A confiança nos serviços está em queda. E na indústria, a procura - tanto externa como interna - continua em queda, embora de forma menos acentuada do que no final de 2009. O seu indicador de confiança interrompeu a subida iniciada em Março passado. Já a construção continua ainda no vermelho e continuará nos próximos três meses, degradando-se o emprego. Mas regista-se uma descida menos acentuada na carteira de encomendas.

Não se sabe porque sorriem então os comerciantes. Os consumidores esperam o pior do país: subida de preços, menos compras de bens de duradouros, menor grau de poupança, deterioração da situação financeira do agregado, dos preços, do desemprego e menores possibilidades de realizar poupanças.