Casa Pia ensinou 2800 crianças a prevenir assédio

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Educação começa na infância

Depois dos escândalos envolvendo a Casa Pia de Lisboa, a instituição criou um programa de prevenção do abuso, assédio sexual e educação sexual. O Projecto Integrado de Prevenção do Abuso Sexual (PIPAS) começou a ser aplicado em 2004/2005 e, anualmente, foi chegando a cada vez mais alunos. No ano lectivo que terminou trabalharam o projecto 2791 alunos e crianças internas na Casa Pia, dos três anos à idade adulta.

Os resultados da avaliação do PIPAS serão discutidos hoje e amanhã, em Lisboa. Em 2003, quando questionados, os profissionais da Casa Pia enunciaram que o maior desafio que tinham era falar sobre abusos sexuais e sexualidade com as crianças e jovens, recorda Vanda Baptista, do grupo de trabalho da Casa Pia.

Foi constituída uma equipa e grupos de trabalho, integrando 43 elementos, entre professores e outros técnicos. Depois de publicada a lei da educação sexual nas escolas, em 2009, o PIPAS foi adoptado como programa de promoção e educação para a saúde, informa Vanda Baptista. Assim, de um ano para o outro, o número de abrangidos pelo projecto duplicou, chegando à maioria dos alunos e internos nas residências.

Dos 2791 educandos, 2630 são alunos e 161 vivem nas residências. A instituição tem 2750 estudantes, o que significa que apenas 120 não estiveram envolvidos no PIPAS.

Através de jogos e livros trabalhados desde os três anos, no jardim-de-infância, até à idade adulta e ao ensino secundário, trabalham-se temas como a auto-estima, higiene, sexualidade, competências sociais e as emoções, enumera a técnica.

Quinzenalmente, as turmas trabalham 45 ou 90 minutos, dependendo do ano. Nas residências com regime de internato, o PIPAS é aplicado ao serão. O modelo não é o de uma aula, mas de um espaço de conversa e reflexão que começa com a proposta de um jogo. Para esse fim, os "aplicadores", professores, educadores de infância e responsáveis das residências (ao todo, 307) receberam formação e acompanhamento.