Vaticano queixa-se de buscas na Igreja belga

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Os bispos belgas deram uma conferência denunciando abusos FRANCOIS LENOIR/REUTeRS

"Sequestro" de bispos e "profanação" de campas levam a protesto após investigação a pedofilia

A polícia belga levou a cabo buscas na propriedade da Igreja Católica belga que "foram longe de mais", queixou-se ontem o Vaticano.

Na véspera, agentes da polícia a investigar queixas de pedofilia fizeram buscas na residência de um bispo e em dois gabinetes da Igreja, um deles a meio de uma reunião de bispos, que foram impedidos de sair durante nove horas e viram ainda os seus telemóveis confiscados, apreendendo ainda computadores em busca de provas.

A polícia fez ainda buscas em dois túmulos de cardeais que tinham sofrido renovações recentemente, levando o Vaticano a indignar-se com a "profanação" das sepulturas.

Vários países europeus viveram escândalos de pedofilia na Igreja Católica depois de dois relatórios mostrarem um quadro preocupante de abusos e silêncio na Irlanda. A Igreja belga foi especialmente atingida: o bispo há mais tempo em funções no país, Roger Vangheluwe, demitiu-se em Abril, depois de admitir ter abusado sexualmente de um rapaz há cerca de 20 anos.

Depois das notícias dos abusos foi estabelecida pela Igreja uma comissão em que vítimas poderiam queixar-se com anonimato garantido. As autoridades efectuaram ainda buscas na sede desta comissão, e na casa do cardeal Godfreid Daneels, que ocupou o cargo durante 20 anos e o deixou este ano, na sequência do escândalo de pedofilia.

"Estas foram buscas baseadas em algumas alegações feitas pelo procurador belga, denunciando abusos sexuais de menores por algumas pessoas da Igreja", disse um porta-voz do gabinete do procurador, Jean-Marc Meilleur. A busca focou-se em trocas de correspondência entre alegadas vítimas de padres pedófilos e as autoridades da Igreja.