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Um percurso polémico Um percurso polémico Um percurso polémico

1975

Saramago é nomeado director adjunto do DN. Ao entrar, anunciou aos jornalistas: "Quem não está com a Revolução, é melhor não estar no DN". Em tempo de opções radicalizadas, os editoriais vinham ao serviço da facção gonçalvista do MFA. O saneamento de 30 jornalistas colou ao seu nome um rasto de polémica que o acompanhou sempre.

1989

É o primeiro das quatro centenas de subscritores de um documento, designado Terceira Via, que contestava a direcção de Álvaro Cunhal e exigia "maior democracia interna" no PCP.

Novembro de 1991

A publicação de Evangelho Segundo Jesus Cristo é recebida com polémica em Portugal e no Brasil, com a Igreja deste país a dizer que se o escritor fizesse parte da Igreja Católica seria excomungado.

Abril de 1992

O subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, exclui Evangelho da lista de candidatos ao Prémio Literário Europeu. "O livro não representa Portugal nem os portugueses", justifica. Saramago comenta: "É o regresso da Inquisição." Em 1993, Saramago decide abandonar o país para fixar residência na ilha de Lanzarote, em Espanha.

27 de Fevereiro de 1999

Num colóquio em Lisboa sobre os 25 anos do 25 de Abril, diz acreditar que se a Revolução não tivesse sido feita, Portugal estaria igual ao que é hoje. "O 25 de Abril acabou. É história. É uma promessa que não se realizou". "(...) Não quer dizer que não o devêssemos ter feito. Apenas que não soubemos, não pudemos ou não nos deixaram mantê-lo."

Agosto de 1999

Recusa o honoris causa da Universidade de Belém do Pará, em sinal de protesto contra o modo como decorre o julgamento do massacre ocorrido na povoação de Eldorado dos Carajás, a 17 de Abril de 1996: 155 soldados da polícia militarizada abriram fogo contra uma manifestação de camponeses tendo provocado 19 mortos.

18 de Setembro de 2001

Uma semana após o 11 de Setembro, num artigo editado simultaneamente no PÚBLICO e no El País (O Factor Deus), cita exemplos de violência ocorrida em países como Índia, Angola e Israel, supostamente por motivos religiosos, para expressar a sua ideia de que "as religiões, todas elas, sem excepção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais".

24 de Janeiro de 2002

Em visita a Ramallah, Saramago compara a ocupação israelita dos territórios palestinianos ao campo de concentração nazi de Auschwitz. "É preciso dizer que o que acontece na Palestina é um crime que nós podemos parar. Podemos compará-lo ao que aconteceu em Auschwitz".

14 de Abril de 2003

Depois de por várias vezes se ter manifestado um acérrimo defensor da revolução cubana, critica o regime de Fidel, agastado com a execução de três dos autores do desvio de um ferry. Num artigo de opinião no El País, diz: "Até aqui cheguei. De agora em diante, Cuba seguirá o seu caminho, eu fico."

15 de Julho de 2007

Em entrevista ao DN, defende que os portugueses só tinham a ganhar se Portugal fosse integrado na Espanha. "Não vale a pena armar-me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos". (...) Seria mais uma província. "Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria".

18 de Outubro de 2009

Na Biblioteca Municipal de Penafiel, no lançamento mundial de Caim, Saramago refere-se à Bíblia como "um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana". Mas diz o mesmo sobre o Corão. "Imaginar que Corão e Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos."

Fevereiro de 2010

Quando é noticiado que, no programa da visita do Papa Bento XVI a Portugal, haveria um encontro com personalidades da cultura portuguesa, Saramago anuncia que recusaria um eventual convite para a ocasião. "Não temos nada para dizer um ao outro", justificou. S.C.A

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