Ambiente

Poluição já atinge a foz do rio Lis em "níveis preocupantes"

A denúncia foi feita ontem pelo BE
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A denúncia foi feita ontem pelo BE PÚBLICO (arquivo)

Análises feitas em Maio pelo Bloco de Esquerda indicam que a má qualidade da água põe em causa a época balnear na Praia da Vieira.

A percentagem de coliformes totais, isto é, bactérias que indiciam poluição, detectados no rio Lis, em Maio, registou um aumento de 845 por cento na nascente, 519% na foz, na Praia da Vieira, e 246% na ribeira dos Milagres, em relação aos valores apurados pela associação ambientalista Oikos durante o ano de 2009.

A denúncia foi feita, ontem, por elementos do Bloco de Esquerda (BE), que apontaram os suinicultores como os responsáveis pela poluição do curso de água, nos concelhos de Leiria e da Marinha Grande. Manuela Pereira, do BE-Leiria, manifestou especial preocupação com as percentagens de coliformes totais detectadas na foz do rio Lis, por afectar a qualidade da água da Praia da Vieira. "É verdadeiramente intolerável. Ainda para mais agora, que se aproxima a época balnear." Contestou ainda o facto de as autarquias não informarem a população sobre os níveis de contaminação da água. "Há valores que indicam que estamos perante um problema de saúde pública."

O porta-voz da Comissão de Defesa da Ribeira dos Milagres, Rui Crespo, lamentou o facto de os suinicultores continuarem a despejar efluentes para o rio e a espalhá-los em terrenos "sem qualquer critério" num clima de "impunidade total". "As coisas já não são feitas ao fim-de-semana ou durante a noite. Começa a ser um caso de polícia", afirmou. "Não se pode continuar a adiar a construção da Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas. Apontou-se para 2005, depois para 2010 e agora fala-se em 2013, mas as obras nem sequer foram iniciadas."

Governo devia intervir

Rui Crespo defendeu ainda que "o Governo devia assumir a liderança deste processo".

Também o deputado eleito por Leiria, Heitor de Sousa afirmou que o Governo devia ser chamado à responsabilidade para resolver a questão do controlo e da fiscalização e criar meios para ajudar a construir a estação de tratamento. "As autarquias de Leiria e da Marinha Grande também têm de intervir no sentido de resolver esta questão gravíssima de saúde pública. Quanto mais tarde o fizerem, mais grave será a situação", alertou.

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