APL vai apostar no transporte fluvial de contentores até Castanheira do Ribatejo

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A construção da plataforma logística (na foto) vai custar 265 milhões de euros dr

Porto de Lisboa garante que há condições de navegabilidade no Tejo. Empresa promotora da Plataforma Logística de Lisboa Norte também está interessada em promover a vertente fluvial

A Administração do Porto de Lisboa (APL) diz que estão reunidas condições para arrancar "brevemente" com um projecto de transporte fluvial de contentores, em barcaças, entre a zona portuária da capital e Castanheira do Ribatejo. Esta possibilidade foi explorada num estudo recém-concluído, que considerou existir "viabilidade" para a construção de um terminal fluvial ligado à Plataforma Logística de Lisboa Norte (PLLN), estrutura que está a ser edificada pelo grupo espanhol Abertis.

O alargamento da área de intervenção do porto de Lisboa até à zona de Castanheira foi pela primeira vez previsto no plano estratégico da APL, que estendeu a sua zona de actuação até 10 quilómetros a norte da Ponte de Marechal Carmona, anterior limite do território portuário.

O estudo técnico-económico agora concluído foi custeado pela Abertis no âmbito de um protocolo que estabeleceu com a APL e a Refer. Visava avaliar as possibilidades de intermodalidade ferroviária/fluvial/rodoviária da PLLN e concluiu que o recurso à via fluvial é viável, podendo exigir a disponibilidade de mais alguns terrenos compreendidos entre os 100 hectares onde a plataforma está a ser construída desde Março de 2008 e o Tejo, a cerca de 300 metros.

As obras da PLLN têm um atraso de um ano, prevendo a Abertis que as primeiras naves possam ser entregues no segundo semestre de 2011. A possibilidade de recurso às vertentes ferroviária (a Linha do Norte passa a escassos metros) e fluvial foi manifestado logo em 2008, tendo o então ministro Mário Lino dito ao PÚBLICO que via com muito interesse o transporte de mercadorias pelo Tejo.

A APL afirma que no seu plano estratégico "deu-se particular ênfase ao incremento do transporte fluvial, principalmente de carga contentorizada, através da criação de infra-estruturas fluviais para movimentação deste tipo de carga, incluídas nas plataformas logísticas em desenvolvimento com acesso ao Tejo". A APL diz que a navegação fluvial "poderá ter, como sucede com economias mais desenvolvidas, um importante papel como gerador de tráfego economicamente vantajoso, considerados os consumos e valores de poluição relativamente menores" por comparação com as opções rodoviárias. E entende que, dessa forma, se pode contribuir "para aliviar o congestionamento dos acessos à cidade".

O protocolo entre a Abertis, a APL e a Refer culminou, no final do ano passado, na entrega de um Estudo de Viabilidade Técnico-financeira e de Operação e Exploração para Implementação da Intermodalidade na PLLN. As conclusões já analisadas pelos três parceiros são favoráveis e a APL sabe que há empresas e operadores privados interessados.

Navegabilidade "assegurada"

Uma porta-voz da APL disse ao PÚBLICO que o porto de Lisboa está a avaliar "os diversos aspectos técnicos e de operação portuária, de forma a dinamizar a actividade de transporte fluvial entre os terminais do porto de Lisboa e a plataforma logística da Castanheira". A APL prevê que "brevemente possa ter início" o transporte de contentores por barcaça ao longo dos cerca de 40 quilómetros do Tejo que separam Lisboa de Castanheira, garantindo que "estão já asseguradas as condições de navegabilidade".

Já a Abertis assume que vê com grande expectativa esta possibilidade de alargamento da vocação da PLLN, mas julga que "não deve tecer comentários unilaterais sobre um processo ainda em fase de análise pelas entidades competentes".

Maria da Luz Rosinha, presidente da Câmara de Vila Franca, afirmou entretanto que tem conhecimento de uma empresa interessada em investir na construção e exploração de um porto fluvial em Castanheira. A autarca diz que já fez chegar a proposta à APL e que se realizou, recentemente, uma visita ao local previsto. "Estamos altamente interessados num projecto que venha a tirar milhares de viaturas pesadas que atravessam diariamente o concelho", sublinhou.

O Tejo, sobretudo entre as zonas de Abrantes e Lisboa, foi muito utilizado durante séculos para o transporte de mercadorias, mas essa actividade foi abandonada desde meados do século passado com a sobreposição das alternativas rodoviárias e ferroviárias. O aumento dos preços dos combustíveis contribui, agora, para que a opção fluvial seja cada vez mais atraente.