Sessão de cinema na Feira do Livro não se realizou por falta de electricidade

Programador diz-se "extremamente aborrecido" com o sucedido. Porto Lazer assume o problema, mas diz que a culpa foi de um fornecedor contratado

Estava tudo a postos. Havia ecrã e projector, filmes, músicos e cadeiras para o público. Só faltava mesmo começar a sessão de cinema-concerto que, anteontem à noite, deveria assinalar o dia do arranque da Feira do Livro do Porto.

Só que "problemas logísticos" impediram a exibição das três curtas-metragens. Na hora H, a electricidade necessária ao funcionamento do espectáculo não apareceu. A empresa municipal Porto Lazer, que ficara responsável pela parte logística, diz que a culpa é de um fornecedor, que não cumpriu o acordado, e "lamenta profundamente" o sucedido.

António Costa, responsável pela programação da Feira do Livro do Porto, diz estar "extremamente aborrecido" com o cancelamento do evento. "Tínhamos tudo montado, mas, à medida que a hora de começar se aproximava, percebemos que havia problemas logísticos, nomeadamente ao nível da electricidade. Não havia forma de projectar", lamenta.

Contactada pelo PÚBLICO, a Porto Lazer confirma o problema, reconhecendo que fora ela que ficara "responsável por efectuar uma ligação eléctrica na Praça do General Humberto Delgado, viabilizar a colocação de um palco na placa central da Avenida dos Aliados e contratar um equipamento de som para este mesmo palco".

A empresa diz ter sido avisada na noite da projecção, pelas 21h, que "o equipamento de som não teria sido disponibilizado". A Porto Lazer garante que tal só aconteceu porque houve um "não cumprimento de um compromisso por parte de um fornecedor contratado para o efeito". A empresa municipal garante que, apesar dos esforços, não foi possível solucionar o problema em tempo útil.

Os filmes que o público da feira deveria ter visto eram Obsessor e Bastão-Piloto, de Fernando Ferreira; e The New York Hat, de David W. Griffith. António Costa diz não ter perdido a esperança de poder realizar a sessão, em nova data: "A nossa ideia é poder fazê-la até ao final da feira, provavelmente no dia do encerramento." A iniciativa é uma organização conjunta da APEL, do Cineclube do Porto, da ESMAE e do Inatel.

Para amanhã está prevista a projecção de Johnny Guitar, de Nicolas Ray, numa homenagem ao falecido director da Cinemateca, João Bénard da Costa. "Espero que se resolva tudo até lá", diz António Costa.