Empresários brasileiros dizem que lei laboral é "rígida"

O primeiro-ministro está hoje de regresso a Lisboa e da visita ao Brasil leva pelo menos uma hipótese de investimento em Portugal e um apelo da parte de empresários brasileiros para mexer na lei laboral. A agenda económica dominou grande parte da visita de José Sócrates, tanto no Brasil, como na Venezuela.

Primeiro, o cenário de negócio. A Companhia Siderúrgica Nacional, que tentou uma OPA sobre a Cimpor, poderá "ressuscitar" um negócio de 800 milhões de euros em Paio Pires, Seixal. O empresário Benjamin Steinbruch foi um dos que se reuniram com Sócrates, em São Paulo, e o investimento numa unidade de laminagem a quente, das poucas da Europa, foi uma das hipóteses que ficaram no ar.

A segunda é a mensagem de que os empresários brasileiros - alguns a investir em Portugal ou com projectos em curso - consideram a lei laboral portuguesa muito rígida. No encontro, na sede da poderosa FIESP, segundo um dos participantes, Sócrates ouviu o que está correr bem no investimento brasileiro, mas também alguns aspectos que merecem "uma reflexão". A rigidez das leis laborais foi um delas, explicou a mesma fonte.

Recorde-se que a reforma da lei laboral terá sido ponderada recentemente pelo Governo, na preparação das medidas de austeridade, mas foi abandonada. Daí Sócrates ter ficado em silêncio quanto a essa possibilidade.

Ao PÚBLICO, o presidente da AICEP, Basílio Horta, afirmou que nota hoje "um grande espírito de abertura" no Brasil e que as grandes empresas "olham Portugal como uma plataforma europeia". Deu o exemplo da Petrobras, que abriu um escritório em Lisboa e é a partir daí que "comercializa os seus produtos para a Europa".

Um dos interesses para parcerias é a construção civil. E não é por acaso que, no Rio de Janeiro, anteontem, Sócrates foi convidado pelo Governo do Estado para a apresentação dos projectos dos Jogos Olímpicos e da "Copa" de futebol.

Duas oportunidades de negócio para uma dezena de empresas portuguesas já com interesses no Brasil. O primeiro-ministro apresentou-as como "do melhor que há em Portugal e na Europa". "Estamos aqui para oferecer os nossos servicos em parceria com as empresas brasileiras", disse. No briefing estavam representadas a Efacec, a Brisa, a Galp, a Mota-Engil, a Somague, a Ydreams, a Critical Software e a Coba.