Crítica

A Mente dos Famosos

Kevin Spacey, num raro intervalo das suas funções de director da companhia teatral londrina do Old Vic, recorda-nos em "A Mente dos Famosos" porque é que é um dos melhores actores americanos contemporâneos - impecavelmente cínico e silenciosamente devastado como um psiquiatra de Hollywood à beira do colapso, afogando as mágoas da morte da esposa em cigarros medicinais de variedades "design".


O problema é que o guião insiste em construir à sua volta a enésima variação sobre "Magnolia" e subsequentes filme-mosaico, alargando o seu raio de acção aos clientes do psiquiatra (um super-agente fóbico, uma actriz insegura, uma estudante introspectiva). E nem a elegância da encenação de Jonas Pate, nem a a melancolia disfarçada da banda-sonora de Brian Reitzell e Ken Andrews, nem a entrega do elenco conseguem disfarçar que algumas destas personagens estão apenas esboçadas e outras servem apenas um papel funcional. E ainda menos disfarçam que os últimos quinze minutos vêm negar vergonhosamente o retrato desencantado de uma Hollywood cínica e venal que preencheu a maior parte do filme. Apesar disso, "A Mente dos Famosos" (quem se lembrou deste título idiota?) vale a olhadela, quanto mais não seja por um Spacey em grande forma e pelo olhar desencantado sobre uma "fábrica de sonhos" que mais parece um pesadelo.