Acordos com os bancos

Vítimas de Madoff fora dos EUA recuperam perdas da fraude

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REUTERS/Shannon Stapleton

Foi preciso esperar quase um ano desde a condenação de Bernard Madoff a 150 anos de prisão para as vítimas da maior fraude financeira da história verem luz ao fundo do túnel.

Cerca de 720 mil investidores fora dos Estados Unidos, sobretudo europeus, que perderam dinheiro com o financeiro norte-americano, chegaram a acordo com os bancos e vão receber 15,5 mil milhões de dólares (12,7 mil milhões de euros).

A notícia é hoje avançada pelo jornal norte-americano New York Times, que cita uma dos escritórios de advogados que representa as vítimas da fraude. Javier Cremades, fundador da espanhola Cremades & Calvo-Sotelo, diz que os reembolsos vão cobrir cerca de 80 por cento dos clientes representados pelos 60 escritórios de advogados que, no ano passado, se uniram e formaram uma aliança global para defender os interesses das vítimas.

Segundo Javier Cremades, os 15,5 mil milhões de dólares representam, em teoria, a totalidade do dinheiro investido pelas vítimas, deixando apenas de fora as rentabilidades e os ganhos que estavam contratualizados.

Para o advogado, a dimensão das indemnizações conseguidas numa dúzia de países, sobretudo europeus, foi um sucesso. “Pensava que só 30 por cento conseguisse obter um acordo, mas pelos vistos os bancos tiveram de investir para não deixar que a sua imagem e rede de retalho”, considera.

A aliança de advogados irá agora prosseguir os esforços para conseguir o reembolso dos restantes 20 por cento mas, segundo Javier Cremades, há nove instituições que não ofereceram ainda acordos para as vítimas. É o caso do Crédit Suisse, Vontoble, Mirabaud, Julius Baer, EFG e BBVA, todos eles sedeados na Suíça, a que se juntam ainda o português BES, o holandês ABN Amro e o Barclays em Espanha.

Outras instituições, como o Santander, decidiram reembolsar os seus clientes, que perderam até 2,33 mil milhões de euros (a terceira maior perda provocada pela fraude de Madoff), com outro método: a oferta de acções preferenciais resgatáveis ao final de dez anos.

Contudo, a história poderá ter outro final nos EUA. Os investidores norte-americanos pela fraude de Madoff poderão não ter a mesma sorte que os europeus, uma vez que o seu investimento foi feito directamente junto do ex-presidente da bolsa tecnológica Nasdaq e não através dos bancos, como aconteceu na Europa.

A fraude de Bernard Madoff, que terá lesado cerca de três milhões de investidores em todo o mundo em 65 mil milhões de dólares (53 mil milhões de euros), teve por base o chamado esquema de Ponzi ou em pirâmide, no qual os investidores mais antigos são pagos através do dinheiro angariado em novos contratos e não através do valor gerado por um negócio real.

Em Junho, Bernard Madoff, então com 71 anos, foi considerado culpado de 11 crimes, entre os quais fraude, lavagem de dinheiro, perjúrio e roubo, e condenado a 150 anos de prisão.

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