Prémio Nobel alerta

Países periféricos precisam de reduzir salários

Os países periféricos da zona euro, como Portugal, Grécia e a Espanha, precisam de passar por uma redução relativa dos seus salários, face aos parceiros do centro da Europa, situada entre 20 e 30 por cento, defendeu ontem o economista norte-americano Paul Krugman.

"Com uma moeda única, o ajustamento a choques assimétricos exige ajustamentos nos salários relativos - e como as nações da periferia da Europa foram da expansão à recessão, o seu ajustamento tem de ser feito para baixo", explica o prémio Nobel no seu blogue, concluindo depois que "os salários na periferia precisam de cair entre 20 e 30 por cento face à Alemanha" para poderem recuperar a competitividade.

Krugman alerta ainda que uma correcção desse tipo é de aplicação extremamente difícil, talvez mesmo impossível, uma vez que exige uma flexibilidade nos mercados de trabalho que "ninguém tem". Exemplos de austeridade extremos como o da Letónia não conseguiram reduções desse tipo.

E é por isso que, mais uma vez, mostra o seu pessimismo em relação ao projecto do euro. "Se o euro não funciona sem flexibilidade nos salários nominais, então a verdade é que isso significa que não funciona mesmo", diz.