Cientistas alertam que autoridades estão a subestimar dimensão da maré negra

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O vídeo foi revelado esta quarta-feira U.S. Coast Guard/Reuters

Assim que na quarta-feira a BP disponibilizou o primeiro vídeo com imagens do furo, a 1500 metros de profundidade, foram vários os cientistas que começaram a estudar em pormenor a origem da maré negra.

A explosão na plataforma petrolífera Deepwater Horizon aconteceu a 20 de Abril mas ainda hoje a escala da catástrofe não é consensual. “Simplesmente não há forma de medir” o que sai do furo, declarou recentemente Ken Wells, vice-presidente da BP. Por isso, as estimativas oficiais resultam da análise do petróleo à superfície. Mark Proegler, porta-voz da companhia, referiu ao “The Guardian” que foram usadas “imagens de satélite, observações aéreas e marítimas”.

Há duas semanas, o número oficial ficou definido nos cinco mil barris de petróleo diários, de acordo com a estimativa produzida em Seattle pela NOAA (agência norte-americana de meteorologia). Desde então não houve mais nenhuma tentativa para estimar o fluxo de combustível que sai do poço.

Mas, segundo Alun Lewis, consultor britânico especialista em derrames de petróleo ouvido pelo “New York Times”, o método que foi utilizado pelas autoridades – baseado na cor e espessura da mancha negra à superfície da água - não é o recomendado para marés negras desta dimensão.

Richard Camilli e Andy Bowen, da Woods Hole Oceanographic Institution, em Massachusetts, poderiam ter a solução, dada a sua experiência na medição de fluxos submarinos. Mas, noticia o “New York Times”, depois de terem combinado com a BP viajarem até ao Golfo do México com o seu equipamento, foram contactados pela empresa para suspenderem a viagem, na mesma altura em que a companhia petrolífera decidiu utilizar uma cúpula para tentar tapar a fuga. A manobra acabou por falhar.

Steve Werely, da Universidade de Purdue, fez a sua estimativa a pedido da Rádio Pública Nacional (NPR), e analisou as imagens vídeo utilizando um modelo de computador baseado na velocidade dos detritos expelidos na fuga. As suas conclusões indicaram 70 mil barris por dia. Isto equivale a um acidente com o cargueiro “Exxon Valdez”, ocorrido em 1989 no Alasca, de quatro em quatro dias. Na altura foram derramados 250 mil barris de petróleo.

Já Eugene Chiang, da Universidade de Califórnia, Berkeley, estudou o ângulo do fluxo libertado do furo e fez as suas estimativas acerca da aceleração gravitacional. Chiang chegou a valores entre os 20 mil e os cem mil barris diários.

Na semana passada, numa reunião à porta-fechada com membros do Congresso norte-americano, os líderes da BP apresentaram um cenário em que estariam a ser libertados 60 mil barris diários.

O director-executivo da BP, Tony Hayward, estima que o poço fora de controlo tenha um reservatório equivalente a, pelo menos, 50 milhões de barris.

“Ter uma maior precisão sobre o fluxo [de petróleo] não iria ajudar em nada. Estaríamos a fazer exactamente o mesmo do que agora”, disse Jane Lubchenco, responsável da NOAA.

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