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No Olímpico de Roma houve adeptos que festejaram a derrota da própria equipa

O Inter venceu em Roma a Lazio por 2-0
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O Inter venceu em Roma a Lazio por 2-0 Giampiero Sposito / Reuters

Polémica instalada em Itália após o Lazio-Inter, em que adeptos da casa torceram pelo adversário. Presidente do clube romano revela ter recebido ameaças de morte.

“O fair play é uma treta”. Quem o disse foi Jorge Jesus, treinador do Benfica, e a realidade não o desmente. Em Itália, a vitória do Inter sobre a Lazio está a dar brado, com troca de acusações por causa do comportamento dos adeptos da equipa romana, que apoiaram o adversário.

Tudo isto porque uma forte amizade, surgida em meados da década de 1980, une as claques da Lazio e do Inter. A partida de domingo proporcionou uma rara ocasião em que ambas as falanges queriam o mesmo resultado num encontro entre as duas equipas: a vitória do Inter. Um triunfo dos nerazzurri permitia à equipa de José Mourinho recuperar a liderança da Serie A, à frente da Roma, grande rival dos biancocelesti.

Os golos de Walter Samuel e Thiago Motta deram os três pontos ao Inter, frente a uma Lazio ainda não matematicamente livre da despromoção (está cinco pontos acima da zona de descida). Na hora de colocar na balança o amor ao próprio clube e o ódio ao rival, os adeptos laziali não pestanejaram. O ódio pesou mais e a amizade foi honrada com faixas sugestivas: “Mou, vence por nós”, “Game over ao título [para a Roma]”, entre outras. Antes de todo o estádio festejar os golos do Inter, houve assobios para Muslera e Zárate, os mais activos na equipa da casa. “Oh não...”, podia ler-se numa sarcástica faixa exibida após o 2-0 dos nerazzurri.

“Noite surreal”, chamou-lhe La Gazzetta dello Sport. “Uma derrota anunciada”, resumiu La Repubblica. Uma partida jogada a ritmo “muito, mas muito amigável”, escreveu o Corriere dello Sport.

“Eu, no lugar do Inter, estaria envergonhada por vencer deste modo”, criticou a presidente da Roma, Rosella Sensi. Mesmo o presidente do Inter, Massimo Moratti, admitiu que a equipa viveu uma “situação estranha”. Porém, o dirigente vincou que se trata de um problema “entre Roma e Lazio, que não diz respeito ao Inter”, recusando responder a Sensi. O ajuste de contas tem data marcada: quarta-feira, novamente no Olímpico da capital italiana, para a final da Taça entre Roma e Inter.

“Não há que pedir desculpa a ninguém”, disse, ontem, o presidente da Lazio, Claudio Lotito, revelando que recebeu uma carta com uma bala e ameaças de morte antes da partida.

“Paródias futebolísticas”

Foi uma das “paródias futebolísticas” do fim-de-semana, tal como lhes chamou o L’Équipe. “Desportivismo, onde estás?”, questiona-se o diário francês, que cita mais dois exemplos. Em Inglaterra, o Liverpool perdeu em casa frente ao Chelsea, adiando a decisão do título para a última jornada. Mas, mais importante, garantindo que o Manchester United – vizinho e rival dos reds, que não querem vê-lo liderar a lista de clubes com mais títulos ingleses – não ultrapassava os blues na classificação.

No Sevilha-Atlético, Quique Flores colocou em campo uma equipa com alguns jogadores menos utilizados, perdendo por 3-1. Escreve o L’Équipe que os andaluzes, quintos na tabela, continuam assim a ter uma hipótese de qualificação para a Champions, já que seguem a dois pontos do Maiorca. Algo do interesse dos colchoneros, que assim se apurariam para a Liga Europa, uma vez que jogam a final da Taça do Rei frente ao Sevilha.