Rã-de-unhas-africana pode ser predador de peso para anfíbios

Plano para erradicar espécie de rã invasora em Oeiras vai começar dentro de dias

A rã-de-unhas-africana, espécie que se tornou invasora em França e Itália, já foi detectada em duas ribeiras de Oeiras. O plano de erradicação desta exótica, predadora das espécies autóctones com potenciais efeitos assustadores, vai arrancar em Maio, foi hoje anunciado.

A Xenopus laevis, originária da África subsariana, tornou-se espécie invasora no Chile, Califórnia, Florida, Sicília e na região ocidental de França. Em 2006 foi encontrada em Portugal, na ribeira da Lage, no concelho de Oeiras. Mais tarde, também chegou à ribeira da Barcarena.

“Esta espécie alimenta-se de ovos, larvas e adultos de outros anfíbios, lagostins, peixes de água doce, vermes e moluscos”, explicou Rui Rebelo, herpetólogo da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). Na ribeira da Lage, esta rã está a alimentar-se da única outra espécie de anfíbios aí identificada, a rã-verde (Rana peresi).

Além disso, esta espécie pode transportar um fungo (Batracochytrium dendrobatidis), letal para outros anfíbios e uma das causas do declínio de várias espécies.

“De momento, a situação em Portugal não é alarmante”, garantiu o investigador na conferência “Ecologia e Conservação de Anfíbios”, que decorreu hoje na Fundação Calouste Gulbenkian, iniciativa da Naturlink e do CIBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos).

Mas as perspectivas não são boas. Tendo em conta a expansão rápida em França e na Sicília, Rui Rebelo teme os efeitos de uma colonização de outras linhas de água. “Será bastante assustador, esta rã pode comer todos os outros anfíbios”, alertou.

Para conseguir controlar a evolução, a FCUL e o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) prepararam um plano de erradicação que vai arrancar já em Maio nas ribeiras de Oeiras.

O plano, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras, pretende remover os adultos da rã-de-unhas-africana durante os próximos cinco anos e monitorizar as ribeiras envolventes.

Os investigadores da FCUL querem ainda saber quais as taxas de crescimento desta espécie em Portugal e quais as origens da sua introdução.