Rio critica justiça e o sentimento de impunidade que esta permite

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Rui Rio, ontem, ao lado de Valente de Oliveira ADRIANO MIRANDA

Num discurso contundente, o presidente da Câmara do Porto ataca a actual "politização da justiça e a judicialização da política"Lor aut nostrud dolummo estis nonsequismod et

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, usou ontem o discurso das comemorações de Abril para criticar "o sentimento de impunidade que se tem instalado na sociedade portuguesa" e que é "uma das primeiras razões que explicam o porquê de Portugal ter chegado ao ponto a que chegou". Para o autarca, "há hoje em Portugal demasiada politização da justiça e demasiada judicialização da política".

Além da "ausência de confiança no sistema", do "clima de impunidade" e do "excesso de sentenças contraditórias de juiz para juiz e de tribunal para tribunal", Rio apontou também "as constantes violações do segredo de justiça" que levam a "julgamentos populares feitos na comunicação social" e "queimam indistintamente gente séria e não séria" - um julgamento "mais próprio de um regime totalitário do que um que se diz democrático".

No combate à corrupção, identifica uma "preocupação populista" que beneficia os corruptos. "A melhor ajuda que se pode dar a um corrupto é lançar a suspeita de corrupção de forma generalizada e sobre toda a gente."

Rui Rio recordou a frase "há vida para além do défice", proferida pelo ex-Presidente da República, Jorge Sampaio para falar do estado da economia actual. "É justamente a vida que Portugal está a viver. Uma vida de elevado desemprego, de crescimento económico nulo, de crescente endividamento, de maior insegurança urbana, de desprestígio internacional, de permanentes ameaças dos mercados que insistem em nos equiparar à Grécia e de portugueses a sofrer dificuldades e com fraca esperança no futuro", descreveu.

Milhares desfilam em Lisboa

Sob um sol que parecia de Verão, vários milhares de pessoas desceram ontem a lisboeta Avenida da Liberdade, em Lisboa, ao som de canções de intervenção que marcaram o dia 25 de Abril de 1974. Um cenário que o líder do Bloco de Esquerda diz ser a representação da "consciência popular" e em que Jerónimo de Sousa recusa ver "saudosimo".

"As pessoas continuam com os valores de Abril bem presentes e sentem que, em momentos de crise como os que vivemos, é à volta dos valores de Abril que se pode construir um Portugal melhor", apontou, por seu lado, o capitão de Abril, Vasco Lourenço. Francisco Assis, líder parlamentar do PS, salientou como no desfile iam lado a lado vários líderes partidários que normalmente pensam de maneira diferente e discutem na sua vida política, mas que reconhecem os valores de Abril.

Entre a massa de gente, a cor vermelha sobressaía nos cravos e na roupa. "É importante trazermos todos para não se esquecer que, se se deixar de ser livre, será certamente uma vida pior", dizia Rui Pedro, com a filha às cavalitas. Margarida tem apenas 12 anos, mas também desfila de cravo na mão. Conhece o 25 de Abril pelos livros de História e pelo que ouve dos pais: "Havia uma ditadura e nós conseguimos acabar com ela." com Lusa

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