Empresa quer fazer saltos da Ponte D. Maria Pia

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A Extremos participou na última pintura da Ponte D. Maria Pia NELSON GARRIDO

Os saltos de bungee jumping provocaram esta semana uma saída desnecessária dos Sapadores do Porto

A empresa de actividades ao ar livre Extremos tenta, "há anos", obter autorização para realizar saltos de bungee jumping na Ponte ferroviária D. Maria Pia, no Porto, desactivada desde 1991. "Nós há anos que estamos a tentar obter autorização para fazer saltos na ponte", afirmou ontem ao PÚBLICO Cláudio Lopes, um dos sócios da empresa. Segundo este responsável, a Extremos já tentou contactar a Câmara do Porto e a Estradas de Portugal, "mais uma outra identidade" que ontem não recordava, mas sem êxito. "Nunca ninguém nos respondeu", lamenta.

Anteontem, a Extremos fez "saltos de baptismo, desde as três da tarde", na Ponte D. Maria Pia, no lado de Gaia e numa zona que já abrange a margem do rio Douro. Tudo correu sem sobressalto até cerca das 19h00, altura em que foram abordados por uma embarcação da Polícia Marítima. Por seu turno, esta terá contactado a PSP. A situação chegou ao conhecimento dos Bombeiros Sapadores do Porto, que foram informados de que "estavam crianças penduradas na ponte". Perante isto, os bombeiros fizeram sair do quartel três viaturas com 12 elementos. Uma saída que se viria a revelar desnecessária.

Cláudio Lopes acrescenta que a empresa apenas pretende obter autorização para realizar saltos de bungee jumping nos meses de Junho, Julho e Agosto. Em contrapartida, este elemento da Extremos garante que a empresa faria "a vigilância da ponte" já que, conforme refere, a possibilidade das crianças utilizarem a ponte para brincar é real, apesar de actualmente isso praticamente não acontecer. Para além desta vigilância, a Extremos elaboraria ainda "relatórios sobre o estado de conservação da ponte". Outro dos aspectos que Cláudio Lopes aponta como vantajoso é que a Ponte D. Maria Pia "passaria assim a figurar no roteiro mundial de bungee jumping".

Com cerca de 11 anos no mercado, a Extremos ministra formação ao nível de resgate e manobras com cordas, contando entre os seus clientes entidades como o INEM, Cruz Vermelha e bombeiros. Por seu turno, a Ponte D. Maria Pia é tutelada pela Refer, que já chegou a enviar para as câmaras de Gaia e do Porto um estudo prévio que contempla a criação de um corredor ciclo-pedonal naquela travessia sobre o Douro.