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E a entrega do título terá de esperar

O gesto de Jorge Sousa repetiu-se quatro vezes
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O gesto de Jorge Sousa repetiu-se quatro vezes Rafael Marchante/Reuters

Luís Aguiar, um uruguaio que até Janeiro andou pela Rússia, apresentou uma forma notável na Figueira da Foz e foi a cereja em cima do bolo numa exibição perfeita do Sporting de Braga. Esteve nos quatro golos que decidiram tudo numa partida que podia terminar com a discussão do título. O futebol notável dos bracarenses merece o adiamento.

O espectáculo desenrolou-se num estádio José Bento Pessoa que se vestiu de vermelho. Nunca aquele palco tinha visto tanta gente nas bancadas (8086). Com a ajuda da SAD bracarense que comprou e distribuiu 7500 ingressos pelos sócios do clube. E o jogo mereceu muito público. Domingos apostou numa dupla atacante móvel (Matheus e Rentería). Inácio respondeu com uma defesa de três centrais, reforçando um sector da sua formação que apresenta sempre demasiados buracos. Dois treinadores, porém, apostados em vencer. Sobretudo Domingos.

O Sp. Braga teve mais bola e esteve sempre mais perto da baliza da Naval. Rentería quase marcou no primeiro minuto. Seguiu-se o espectáculo de Peiser. Evitou por duas vezes o golo: primeiro num remate do meio da rua de Luís Aguiar e logo a seguir, de forma excelente, a desviar para canto um cabeceamento de Paulo César. Mas um bom guarda-redes não chega perante o potencial de um adversário como o Sp. Braga.

E é ainda mais insuficiente quando os bracarenses contam com um médio em grande: Luís Aguiar. O uruguaio, de 24 anos, realizou uma das melhores exibições desde que regressou ao Minho por empréstimo do Dínamo de Moscovo. Ofereceu dinâmica ao meio-campo e uma força aos lances de bola parada que fizeram a diferença. Como foi o caso. O uruguaio, aos 25’, marcou de forma espectacular um livre à entrada da área e colocou a equipa a ganhar. Sem hipóteses para Peiser, que ao longo da partida realizou um punhado de excelentes defesas. Depois, aos 39’, marcou um canto, Alan desviou ao primeiro poste e Matheus apareceu a tocar para as redes.

Os dois lances apagaram a fantasia de Fábio Júnior, um avançado que chegou em Janeiro e conseguiu dar outra profundidade ao futebol da equipa figueirense, demonstrando que merece um clube de outra dimensão. Um lance que deixou mais uma vez em evidência as suas qualidades aconteceu, aos 11’, quando ganhou em velocidade a Paulão e ofereceu o golo a Simplício. Valeu Evaldo a salvar no último momento.

No segundo tempo, o Sp. Braga procurou gerir o jogo e a bola. Inácio apostou tudo, mas nunca esteve sequer perto de oferecer o título ao Benfica. E houve tempo para mais um canto de Luís Aguiar, permitindo a Paulão fazer o terceiro golo dos forasteiros. Minutos depois (84’), o uruguaio fechou a grande exibição com um “chapéu” a Peiser.

O Sp. Braga ficou a um pequeno passo de garantir um histórico segundo lugar e pode ainda continuar a sonhar com o título. Merecidamente.

POSITIVOLuís Aguiar

Realizou uma das melhores exibições desde que voltou ao Sp. Braga. Marcou de forma espectacular num livre frontal, fez um bonito “chapéu” e esteve nos cantos de que resultaram os outros golos. Dificilmente o Sp. Braga deixará de exercer a opção sobre o uruguaio.


Sp. Braga

É uma equipa que joga com confiança, apesar de saber que dificilmente chegará ao título. Mas, como dizia Domingos, os jogadores do Sp. Braga vão “sair desta época como verdadeiros campeões”.


NEGATIVODefesa da Naval

Augusto Inácio apostou num esquema de três centrais para segurar o potencial ofensivo do Sp. Braga. Mas Real, Gomis e Diego estão longe de oferecer qualquer tipo de segurança. O meio-campo também não ajudou. Peiser e Fábio Júnior não mereciam.


notícia actualizada às 20h56
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