No naufrágio do Cheonan morreram 46 marinheiros

Seul ergue das águas navio supostamente torpedeado pela Coreia do Norte

A parte da proa do navio está a ser retirada das águas com um guindaste gigante
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A parte da proa do navio está a ser retirada das águas com um guindaste gigante Choi Jae-Gu/REUTERS

A marinha sul-coreana resgatou hoje a metade da proa do navio militar que naufragou há um mês em águas fronteiriças disputadas com a Coreia do Norte, com os peritos a avançarem já haver provas que sustentam a teoria de que houve um ataque com torpedo por Pyongyang.

A corveta Cheonan, de 1200 toneladas, afundou-se a 26 de Março depois de uma violenta explosão, matando 46 marinheiros – o que torna este incidente no mais mortal desde a guerra das Coreias, de 1950 a 1953.

Os inquéritos preliminares, com base em dados de satélite e testemunhos dos 58 sobreviventes, apontaram para uma explosão externa na causa do naufrágio. As autoridades militares sul-coreanas sustentam que o Cheonan foi atingindo por um torpedo submarino disparado pela Coreia do Norte.

“A forma como uma das escotilhas [junto à área onde o navio se partiu ao meio] foi impelida indica que se deu um impacto externo extremamente poderoso”, indicava uma fonte militar, citada mas não identificada pela agência noticiosa sul-coreana Yonhap. Indícios como este, avança-se, ajudam a consolidar a tese de que o Cheonan terá sido torpedeado.

Uma equipa de peritos da Coreia do Sul, Estados Unidos e Austrália apontara já que o navio fora destruído por uma explosão externa, depois de ter sido analisada a metade da popa do Cheonan, que foi retirada das águas no início deste mês.

Porém, o regime de Pyongyang mantém que nada teve a ver com o incidente e acusou a vizinha Coreia do Sul de estar a “crispar” as já difíceis relações entre os dois países, que tecnicamente se encontram ainda em guerra, sem que tenha sido assinado um armistício.

Mesmo sendo encontradas provas conclusivas de responsabilidade da Coreia do Norte, muito pouco pode ser feito por Seul, apontam os analistas. O país não pode arriscar travar nova guerra, pondo em causa a sua economia em rápida recuperação.

O Presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, deu ontem claros sinais, de resto, de que não tem qualquer intenção de lançar um ataque de retaliação pelo naufrágio do Cheonan.

Pyongyang ameaça responder a intrusões

O regime norte-coreano mantém um discurso duro e avisou hoje que utilizará "todos os meios", incluindo armas nucleares, caso se verifique uma entrada no seu território por parte de Seul ou dos Estados Unidos, que têm 28 mil soldados na Coreia do Sul.


"Estamos prontos a fazer face a qualquer provocação. Mobilizaremos todos os meios, mesmo os de dissuasão nuclear, se os imperialistas americanos e as suas marionetas belicistas sul-coreanas ousarem penetrar nem que seja 0,001 milímetros nos invioláveis espaço aéreo, águas territoriais e território", da Coreia do Norte, ameaçou o chefe de estado-maior das forças de Pyongyang, general Ri Yong-Ho, citado pela agência noticiosa estatal KCNA.

Notícia actualizada às 17h20

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