Portugueses a favor da proibição de álcool a menores

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43% bebem álcool diariamente

A esmagadora maioria dos portugueses (89 por cento), tal como acontece com a média dos europeus, concorda com a proibição da venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos (em Portugal, a idade mínima legal para beber são os 16 anos). A medida consta do Plano Nacional para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool 2010-2012, proposto pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) há mais de um ano mas que continua à espera de aprovação governamental.

Manuel Cardoso, membro do conselho directivo do IDT, fica "contente com a dimensão de apoio à medida", porque significa que a opinião pública não representa "um obstáculo à aprovação". "Este resultado vem dizer que temos razão. Gostávamos que o plano fosse aprovado." O Ministério da Saúde não soube ontem dar informações sobre a data de aprovação.

Os portugueses não destoam no apoio a outras medidas contra o álcool. Estão mesmo acima da média europeia no que diz respeito ao apoio à limitação da publicidade de bebidas junto de jovens (86 por cento são a favor, face a 77 por cento dos cidadãos da União Europeia a 27), revelam dados do Eurobarómetro sobre o tema, divulgado esta semana.

Questionados sobre hábitos de consumo, Portugal apresenta o maior número de abstémios da Europa: 42 por cento respondem que não consumiram qualquer bebida (cerveja, vinho, espirituosas, cidra ou outras) nos últimos 12 meses, muito acima da média europeia de 24 por cento. Os dinamarqueses estão no extremo oposto - só sete por cento dão a mesma resposta. Quando se pergunta aos europeus que dizem beber álcool com que regularidade o fazem, 43 por cento dos portugueses afirmam fazê-lo diariamente, face a 14 por cento dos europeus, mas quase um quinto bebe menos de uma bebida, o que remete para um consumo regular mas moderado. Os recordistas são os irlandeses, em que 35 por cento bebem três a quatro bebidas diárias.

Os maiores níveis de binge drinking (ingestão de cinco ou mais bebidas numa só ocasião) encontram-se também na Irlanda. A média europeia é de 29 por cento e Portugal está um por cento abaixo, mas nos vários países o problema está sobretudo concentrado na faixa etária dos 15 aos 24 anos.