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Benfica de vermelho eléctrico na noite do quase-título

Di María marcou um golo e deu dois, um deles de letra...
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Di María marcou um golo e deu dois, um deles de letra... Foto: Rafael Marchante/Reuters

Tudo perfeito na Luz com goleada sobre o Olhanense por 5-0. Um penálti a abrir, uma expulsão no adversário a seguir e três golos de Cardozo deixam os "encarnados" a um ponto do título

Sábado, no Estádio da Luz, não seria a noite para festejar o título. A matemática ainda não o permitia. Para a festa ser já este fim-de-semana, o Benfica não dependia apenas de si, teria de esperar pela capacidade de resistência do Sporting de Braga, que tem sido grande durante toda a época, e do resultado dos minhotos, este domingo, frente à Naval. Mas este sábado, foi a noite do quase título, em que os homens de Jorge Jesus fizeram aquilo que têm feito quase sempre esta temporada, ganhar. E conseguiram-no por números inequívocos, um robusto triunfo por 5-0, com três golos de Óscar Cardozo, que assumiu a liderança isolada da lista dos melhores marcadores.

O Olhanense não queria estar lá como convidado para a festa e muito menos como figurante simpático. Afinal, a formação algarvia ainda não tinha garantida a manutenção e até era uma das poucas equipas que conseguiram roubar pontos ao Benfica esta época, com aquele empate em Olhão (2-2) que quase foi uma vitória, não fosse o golo fora de horas de Nuno Gomes. Já Jesus não queria abrandamentos, mas um jogo de alta voltagem. O palco estava preparado para isso e as 65 mil pessoas alimentavam as bancadas da Luz com muita energia.

Mas as pretensões de Jorge Costa em abrandar a caminhada “encarnada” desfizeram-se poucos minutos depois do início do jogo. Jesus deve ter tido uma pequena satisfação interior em ver que a sua decisão em manter Weldon no “onze” apesar de Saviola estar apto começou a dar frutos tão cedo. O eficaz avançado brasileiro avançou pela esquerda após passe de Pablo Aimar, ultrapassou Anselmo e obrigou Delson a cortar a bola com o braço dentro da área. Lucílio Baptista, no seu último jogo oficial neste estádio, demorou alguns segundos a assinalar penálti e, sem surpresa, Óscar Cardozo converteu. Estavam passados apenas três minutos.

A formação algarvia, que até nem é daquelas que estaciona o autocarro em frente à sua área, não conseguiu reagir à entrada de rompante deste Benfica eléctrico e viu as suas hipóteses caírem quase até zero aos 9’, quando o descontrolado Delson cometeu uma falta feia sobre Di María e viu o cartão vermelho. Com mais um jogador em campo, tudo ficou mais fácil para o Benfica, que levou menos de dez minutos marcar o segundo.

Mais uma vez, tudo começa num passe magistral de Pablo Aimar. Di María recebe a bola na área do Olhanense, tira Lionn do caminho e bate o guardião Bruno Veríssimo pela segunda vez. Tudo surpreendentemente fácil, quase sem oposição dos visitantes, que apenas conseguiram fazer qualquer coisa parecida com um remate aos 20’, por Ukra, mas nada que preocupasse demasiado. Nem um quarto de jogo estava cumprido e já a tendência do jogo estava definida, faltava saber qual a dimensão da vitória.

Sucediam-se os golos falhados – quase sempre Cardozo – mas a ansiedade pela vitória era coisa que já não existia. Na Luz já só se pensava no jogo do dia seguinte na Figueira da Foz. Para a segunda parte nada de novo. O meio-campo do Olhanense não tinha dinâmica para travar a avalanche benfiquista e abusava das faltas feias.

Di Maria era o homem que trazia o perigo e fazia o que queria do pobre Lionn, designado para o tentar travar – nunca o conseguiu. Foi dos pés do jovem extremo que Diego Maradona diz que tem lugar cativo na selecção argentina que saíram mais dois golos, quase iguais, com os mesmos heróis e vilões: Di María, Lionn e Cardozo. Ambos foram jogadas pela esquerda em que o argentino ultrapassou o lateral do Olhanense e procurou o avançado paraguaio na área. Aos 53’ e aos 55’, Cardozo respondeu com golos e ultrapassou Radomel Falcao, que sábado tinha marcado dois ao Vitória de Setúbal, na classificação dos goleadores. E Aimar teve o prémio para um jogo de grande inspiração, marcando o 5-0 aos 79’, após ganhar um ressalto a Miguel Ângelo.

Fazendo justiça ao lema que adoptou esta época, o “carrega Benfica”, o Benfica carregou cedo e garantiu rapidamente uma festa preliminar. O título está à distância de um ponto. Que pode ser perdido hoje pelo Sporting de Braga na Figueira, ou conquistado no próximo domingo no Dragão.

POSITIVO E NEGATIVO

+

Cardozo
A equipa procurou por ele e o paraguaio respondeu. Mais três golos e a recuperação do estatuto de melhor marcador da Liga a solo.

Di María
É um virtuoso e, quando está em forma (o que é o caso), é imparável. Mais um golo e duas assistências.

Aimar
Esteve em dois dos golos com os seus passes milimétricos e marcou o último do jogo.


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Delson
Provocou um penálti aos 3’, foi expulso aos 9’. Querem mais influência no jogo que isto?

Lionn
O lateral direito do Olhanense apanhou pela frente Di María, que é um dos melhores do campeonato, e não ganhou um único duelo ao argentino.

Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.Assistência 62.147 espectadores

Benfica

Quim 7, Ruben Amorim 7 (Maxi Pereira 6, 60’), Luisão 6, David Luiz 7, Fábio Coentrão 7, Javi Garcia 7, Ramires 6, Di María 9, Aimar 8 (Nuno Gomes -, 82’), Weldon 6 (Saviola 5, 61’) e Cardozo 8. Treinador Jorge Jesus.

Olhanense

Bruno Veríssimo 4, Lionn 3, Anselmo 3, Miguel Ângelo 4, Carlos Fernandes 4, Rui Baião 4, Delson 2, Nwokolo 4 (Toy 4, 65’), Castro 5, Ukra 6 (Rabiola -, 81’) e Djalmir 5 (Yazalde 4, 65’). Treinador Jorge Costa.

Árbitro

Lucílio Baptista 6 (Setúbal) Amarelos Delson (2’ e 9’), Luisão (20’), Rui Baião (21’), Cardozo (54’), Aimar (61’) e Maxi Pereira (86’). Vermelho Delson (9’)

Golos

1-0, por Cardozo, aos 2’ (g.p.); 2-0, por Di María, aos 18’; 3-0, por Cardozo, aos 53’; 4-0, por Cardozo, aos 56’; 5-0, por Aimar, aos 79’.

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