Administrador executivo da Media Capital na Comissão de Inquérito

Herrero admite que contestação de Sócrates influenciou fim do Jornal Nacional de Sexta

O administrador executivo da Media Capital, Juan Herrero, admitiu hoje que a contestação pública de José Sócrates contra o Jornal Nacional de Sexta foi um dos motivos que influenciaram decisão de suspender o noticiário apresentado por Manuela Moura Guedes.

Juan Herrero, que está a ser ouvido na comissão de inquérito sobre o negócio PT/TVI, realçou que a decisão de suspender o “Jornal Nacional de Sexta” (JN6) teve por base “vários motivos”. Instado pela deputada do CDS, Cecília Meireles, a responder se os protestos do primeiro-ministro estavam entre esses motivos, o administrador do Grupo Media Capital afirmou: “Provavelmente sim.” “Quando se tomam estas decisões pesam vários motivos e acontecimentos que se arrastavam há vários meses”, acrescentou, referindo-se às “queixas da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, do Sindicato dos Jornalistas e de instituições governamentais”.

Herrero precisou depois que as “instituições governamentais” a que acabara de se referir incluíam a “ERC”.

A decisão de retirar o JN6 da grelha da estação televisiva foi definida pelo Conselho de Administração da TVI, explicou Herrero, e o assunto já vinha a ser falado desde Fevereiro de 2009, quando “começaram as guerras com a ERC”. “Desde esse momento que nos questionámos sobre a existência do JN6, que era mais caro do que os outros noticiários. Além das queixas da ERC e do SJ existiam também critérios económicos”, disse.

Mais tarde, quando questionado pelo PSD sobre a alegada "contribuição" de Sócrates para o fim do JN6, Herrero afirmou: "Tudo o que é dito sobre a empresa interessa-nos. Tudo o que é dito sobre a Media Capital tem importância para nós. Temos de considerar tudo o que é dito por pessoas das áreas política, financeira e cultural, assim como as avaliações da ERC e do SJ."

Antes da audição, Herrero fez uma breve declaração, apontando que “nunca” teve qualquer “contacto pessoal” com o primeiro-ministro, “nem com qualquer membro do Governo”.

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