Benfica só vende jogadores se as propostas ficarem perto das cláusulas de rescisão

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David Luiz tem uma cláusula de rescisão de 50 milhões de euros Hugo Correia / Reuters

Alguns jogadores do Benfica estão a despertar muito interesse na Europa, mas à Luz ainda não chegou qualquer proposta formal, apurou o PÚBLICO junto do clube "encarnado". E quando chegar uma proposta, como será recebida? "Não existe intenção de venda, ou pelo menos, de venda significativa de jogadores", disse ontem Domingos Soares Oliveira, administrador da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Benfica, no final da cerimónia de apuramento de resultados da oferta pública de subscrição do empréstimo obrigacionista até 2013.

Esta emissão de obrigações (ou títulos de dívida) permitiu o encaixe de 40 milhões de euros, que serão usados para pagar o anterior empréstimo obrigacionista, consolidar o passivo, mas, acima de tudo, para "apoiar os investimentos" na equipa de futebol, explicou Soares Oliveira, garantindo que "o enfoque vai ser posto na vertente desportiva" - o presidente Luís Filipe Vieira sublinhou que, desde 2003, o clube investiu 300 milhões de euros, mais de metade dos quais em infra-estruturas, já que o novo estádio custou 160 milhões e o centro de estágio no Seixal cerca de 20 milhões.

Agora já não há necessidade de investir em infra-estruturas, pelo que as atenções se concentram em ter uma equipa de futebol competitiva na próxima época e nas seguintes. Soares Oliveira só não garantiu que o clube não vende jogadores porque existem cláusulas de rescisão, quase todas reforçadas no último ano quando foram renovados os contratos de vários dos principais futebolistas. "Se houver vendas, é porque alguém bateu as cláusulas de rescisão ou porque é uma oportunidade irrecusável."

Definir o que é uma proposta irrecusável é sempre difícil, mas no caso dos futebolistas que pertencem, em parte, ao Fundo de Jogadores do Benfica, há um outro valor (além da cláusula de rescisão) a ter em conta. Cada vez que cedeu uma percentagem de um jogador ao Benfica Stars Fund, a SAD "encarnada" e os gestores do fundo definiram um valor de referência. Se chegar uma proposta nesse montante, o Benfica tem duas opções: ou vende mesmo o passe do futebolista ou então compra a percentagem ao fundo, voltando a ser o detentor exclusivo dos direitos desportivos desse atleta.

Tendo em conta que o Benfica aumentou consideravelmente as cláusulas de rescisão de alguns jogadores (ver caixa), o valor de referência do fundo até será uma bitola mais razoável, embora esses valores não sejam conhecidos, sabendo-se, no entanto, que ficam algures entre a avaliação que foi feita pelo fundo e a cláusula de rescisão. Olhemos o exemplo de Óscar Cardozo. O Benfica vendeu 20 por cento do passe do paraguaio ao fundo por quatro milhões de euros, o que significa uma avaliação global de 20 milhões de euros. A cláusula de rescisão do avançado é de 60 milhões, pelo que esse valor de referência está entre os 20 e os 60 milhões.

A intenção do Benfica de manter os principais futebolistas saiu reforçada pelo sucesso do empréstimo obrigacionista, cujo período de oferta decorreu entre 29 de Março e 20 de Abril. A procura superou 3,5 vezes a oferta, tendo os oito milhões de obrigações sido subscritos por 6270 investidores, a grande maioria de Portugal.

Soares Oliveira admitiu que o êxito desportivo da equipa de futebol ajudou à elevada procura (suficiente para um empréstimo de 140 milhões), como também tem ajudado à valorização das acções do clube, considerando que esta operação de endividamento "superou" as expectativas.

A taxa nominal deste empréstimo é de seis por cento e os juros semestrais têm uma rentabilidade líquida de 4,853 por cento. A admissão à negociação está prevista para amanhã, depois da aprovação do prospecto pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

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