Governo regional recusa divulgar lista de mortos

Gregório Fernandes Canha, de 32 anos, dirigente do clube do Curral das Freiras, é um dos oito madeirenses que continuam desaparecidos na sequência da tragédia de 20 de Fevereiro. Para a sua mãe, "a esperança já morreu". À porta da residência, no sítio da Capela, o seu cão, quase sem apetite para comer, continua à espera que o dono regresse.

As buscas dos desaparecidos nas enxurradas foram retomadas na semana passada, deixando as famílias um pouco mais animadas mas ainda assim indiferentes às festividades deste fim-de-semana. As operações, com o auxílio de duas brigadas cinotécnicas da GNR especializadas na detecção de cadáveres, concentraram-se no Laranjal, numa das zonas altas da cidade do Funchal, onde residiam metade dos oito desaparecidos. O governo regional continua a não disponibilizar a lista dos mortos provocados pelo temporal.

"Não consigo descansar enquanto não forem encontrados os corpos da minha filha e da minha neta", lamenta Dora Abreu, residente na zona da Igreja da Visitação, um pouco abaixo da zona atingida por uma grande enxurrada. Neste sítio da freguesia de Santo António, as equipas da GNR procuram os corpos de Susana Micaela Pinto, Manuel Araújo Nunes, Diana Raquel Abreu Pereira e da sua filha Soraia Patrícia, de apenas nove meses.

Também na Ribeira Brava, os cães especializados na detecção do odor a cadáver tentam localizar Anacleta Macedo Silva, cozinheira dos bombeiros, e Carla Patrícia Abreu Pita, estudante, ambas arrastadas pelas enxurradas das suas residências no Pomar da Rocha. Na baía do Funchal continua por encontrar o corpo de Alexandre Clemente, desaparecido perto do Mercado dos Lavradores e, a oeste, na ribeira dos Socorridos, o de Gregório Canha.

Em todos estes casos as buscas têm sido infrutíferas, pelo que o balanço final, em termos de número de mortos, deve ultrapassar a meia centena. Isto se às vítimas cujo óbito está confirmado - 42 madeirenses e uma turista britânica - se somarem os corpos que ainda aguardam identificação pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e as oito pessoas - de uma lista inicial de 256 - que, passados dois meses, continuam desaparecidas.

Apesar dos pedidos insistentes do PÚBLICO, o governo regional continua a recusar divulgar a identidade dos mortos. O executivo de Jardim manteve inalterável desde o segundo dia após a tragédia o número oficial de vítimas. Mas desde então foram encontrados mais cadáveres, houve informações contraditórias sobre as autópsias realizadas e foram recolhidos restos mortais que permanecem na morgue por identificar. T.deN.

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