Audiencia com Cavaco e com Parlamento

Subscritores do manifesto da energia querem todas as energias "sem tabus"

Dezasseis dos 36 subscritores do manifesto contra a política energética do Governo apresentaram hoje a sua posição pública de defesa de uma “avaliação de todas as tecnologias disponíveis a médio e longo prazo, sem tabus”, pouco depois de um encontro com o secretário de Estado da Energia.

O movimento, liderado por Mira Amaral, aguarda ainda uma audiência do Presidente da República e pretende levar o documento a todos os partidos com assento parlamentar.

Os autores e subscritores do manifesto voltaram a defender, em conferência de imprensa, “uma avaliação técnica e económica, independente e credível, da política energética nacional”, por entenderem excessiva a subsidiação às energias renováveis, particularmente, eólica e fotovoltaica.

O grupo, com uma maioria de membros com posição favorável ao nuclear e à sua discussão, nunca mencionou directamente essa opção durante a apresentação, mas diz “não aceitar tabus”. Por outro lado, desvaloriza o pólo industrial eólico construído em Viana do Castelo, considerando-o “um cluster que faz umas montagens, que é a Enercon”, e que não se traduz em indústria própria nacional.

O objectivo, diz o movimento, “é reduzir os preços da energia com que são confrontados os cidadãos e as empresas, a par de garantir uma maior segurança energética e uma verdadeira redução do défice da balança comercial”.

O grupo disse não ter estabelecido metas de redução da factura eléctrica, nem de aumento de investigação e desenvolvimento tecnológico, do mesmo modo não avançou soluções para a redução da dependência exterior. Acabou por reconhecer que as empresas não pagam o sobrecusto das renováveis na sua factura eléctrica, apenas os consumidores domésticos e as pequenas empresas de serviços que estejam em nome individual.

Citando estudos críticos feitos na Alemanha, Dinamarca e Espanha sobre o impacto económico das renováveis, os dirigentes do manifesto dizem não ter levado em conta estudos posteriores que rebateram os pontos defendidos. Justificaram que ou a crítica “era bem feita sobre aspectos metodológicos, mas não invalidava conclusões” ou porque os desconheciam.