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Penáltis disfarçam os problemas do Sp. Braga

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Fernando Veludo/nFactos

Num dos “derbies” minhotos mais acidentados de que há memória, o Guimarães (que ameaça protestar o jogo) sofreu o golo da derrota nos instantes finais.

Três penáltis, o último assinalado nos instantes finais dos descontos, permitiram ao Sp. Braga vencer o Guimarães, por 3-2, naquele que terá sido um dos clássicos minhotos mais acidentados e polémicos de que há memória. Depois do desaire na Luz, foi muito a custo que a equipa bracarense reencontrou o caminho da vitória, que lhe permite continuar a sonhar com o título e, pelo menos, manter a vantagem para o FC Porto.

Foi um daqueles jogos em que, daqui a muitos anos, poderemos dizer que “estivemos lá”. Não tanto pela qualidade do espectáculo, que até deixou muito a desejar, antes por um conjunto de circunstâncias pouco habituais: um penálti marcado (a favor do Guimarães) e logo depois (bem) anulado pelo árbitro, mais quatro penáltis assinalados e marcados (três a favor do Braga e um do Guimarães, sendo que os dois últimos, um para cada lado, aconteceram já nos descontos) e quatro expulsões, com o Guimarães a terminar o jogo com apenas sete jogadores em campo. Como se isso não bastasse, houve ainda problemas nas bancadas, com a polícia a ser obrigada a fazer uma carga sobre os adeptos vimaranenses que transformavam as cadeiras em objectos voadores. E tudo terminou com os altifalantes a difundir uma música dos Trabalhadores do Comércio adequada à situação: Chamem a Polícia...

A verdade é que foi à custa dos penáltis (três dos quatro foram bem assinalados) que o Braga conseguiu disfarçar os problemas e dar a volta ao resultado. Esta equipa bracarense já não tem a mesma qualidade que aquela que comandou o campeonato durante uma série de jornadas. Porque lhe falta Vandinho e Mossoró, porque teve de vender João Pereira e porque não tem substitutos à altura, demasiados problemas para um conjunto a quem sempre faltou um avançado com golo nas botas.

Domingos Paciência tinha dito que o seu trabalho durante a semana havia sido principalmente de recuperação psicológica. Mas durante a maior parte do tempo, principalmente após o sexto minuto, quando aconteceu o penálti-que-afinal-não-era-penálti, o que se viu foi uma equipa sôfrega e nervosa. Por culpa própria e por mérito de um Guimarães que se apresentou bem organizado e que mostrou mais qualidade de jogo durante a primeira parte. Num jogo com poucas oportunidades, os vimaranenses marcaram aos 18’, com Marquinho a assistir com o peito (os bracarenses acharam que foi com o braço) Rui Miguel, que concluiu com um remate delicioso. O Sp. Braga chegaria ao empate, aos 39’, por Alan, no primeiro penálti da noite, após a bola ter embatido no braço de Andrezinho. Na segunda parte, o Sp. Braga melhorou um pouco, mas o Guimarães defendeu-se bem, o que levou Domingos Paciência a arriscar, alargando a frente de ataque a quatro homens. Mas Rentería demorou quase um fim-de-semana prolongado a decidir-se pelo remate e a melhor oportunidade do jogo, de bola corrida, deu em nada. Estavam as coisas neste pé quando, aos 77’, os centrais do Guimarães tiveram um distracção, permitiram que Renteria se isolasse e fosse agarrado fora e também dentro da área. Valdomiro foi expulso e Meyong colocou o Sp. Braga a vencer.

Já nos descontos, e na sequência de um livre, Rodríguez apoiou-se em Roberto na área para chegar mais alto e, na sequência do penálti, Andrezinho repôs a igualdade. E já se esperava o apito final quando Rentería voltou a cair na área, mas desta vez sem falta. Indiferente aos protestos (e às expulsões) do adversário, Meyong marcou o golo da vitória.


POSITIVO e NEGATIVO

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Rui Miguel
Um remate em arco, colocado, a contornar o defesa e a fugir a Eduardo. O primeiro golo da noite foi um dos melhores momentos do jogo.

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Soares Dias
Provavelmente por má comunicação com o árbitro auxiliar, Soares Dias começou por assinalar um penálti que não existiu. Anulou-o logo depois (bem como o amarelo a Moisés), mas essa hesitação não o impediria de tomar decisões acertadas nos três penáltis seguintes. Até à última grande penalidade, o seu principal erro foi ter mostrado e depois anulado o vermelho a Rodríguez, no lance que permitiu ao Guimarães fazer o 2-2. Tinha-se esquecido que o primeiro amarelo havia sido anulado. Já em período de descontos, assinalou uma falta-fantasma sobre Rentería e, com essa decisão, manchou uma arbitragem corajosa.

Incidentes na bancada
Os adeptos do Guimarães reagiram sempre mal aos golos do Sp. Braga e a zona das bancadas em que estavam instalados ficou quase sem cadeiras, obrigando a uma carga policial.
Notícia actualizada às 23h17