Mercado de arrendamento duplicou a oferta

Preço das rendas já começou a baixar

A procura pelo mercado de arrendamento aumentou muito a partir de 2007, numa altura em que as circunstâncias do mercado financeiro começaram a impor um travão a uma tendência que se manifestou não só em Portugal mas em toda a Europa - é verdade que há países em que o mercado de arrendamento tem um peso muito maior do que em Portugal mas, nas ocupações recentes, o regime de ocupação própria ganhou peso em todos os países.

O "despertar" do mercado foi muito impulsionado pelas taxas da Euribor, que chegou nessa altura a ultrapassar os 4,9 por cento. O mercado das rendas esteve praticamente estagnado entre 2003 e 2005, altura em que a oferta de casas para arrendar na área metropolitana de Lisboa rondava os três mil fogos. No final de 2009 a oferta já atingia os 13 mil fogos, com a expansão do mercado de arrendamento a começar a fazer-se para mercados mais periféricos. O município de Lisboa pesava 55 por cento da oferta em 2005 e foi reduzindo sucessivamente até aos 42 por cento com que chegou a 2009.

Já a cidade do Porto manteve maior peso, à escala metropolitana, na região respectiva, continuando a assegurar quase 57 por cento do mercado. Na área metropolitana do Porto, a oferta de arrendamento atingia os cinco mil fogos.

O aumento da procura reflectiu-se no valor das rendas: se entre 2003 e 2005 a variação média anual do valor das rendas foi de 0,2 por cento, as taxas de variação homóloga (TVH) começaram a subir muito entre a segunda metade de 2008 e o primeiro semestre de 2009. Em Lisboa, no segundo trimestre de 2009, a TVH chegou a atingir os cinco por cento, e no Porto dois por cento. O director da Confidencial Imobiliário (CI), que apurou estes indicadores, refere que esta trajectória de subida era motivada "pelo comportamento do mercado, que absorvia toda a oferta que chegava, e o feed-back que havia dos mediadores era o de que não tinham muitas vezes produto para os pedidos que lhes chegavam". Mas a partir de 2009 o valor das rendas começou a descer, decorrente do grande aumento de oferta.

O facto de a banca ter feito algumas mudanças na abordagem que faz ao mercado imobiliário condicionou a evolução deste segmento. "Um aspecto é a restrição forte de capacidade de crédito por ausência de liquidez, mas há porventura alterações estruturais que levaram a banca a procurar novos equilíbrios naquele que foi o produto-estrela, que gerava uma relação de longo prazo entre o banco e os clientes", adivinha Ricardo Guimarães, para recordar que o mercado de arrendamento ainda é uma solução de recurso, "apesar de ser o mercado para o qual quer a oferta quer a procura se está a dirigir". L.P.