Antes a Grécia

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O título no PÚBLICO de anteontem não dizia tudo: "Eurolândia aceita reforçar a disciplina da moeda única em troco de mecanismo de defesa de ajuda financeira à Grécia".

Na fotografia, Durão Barroso apontava as pestanas ao dossier de Van Rompuy, enquanto, do outro lado, Zapatero alcançava um copo, porventura para beber um copo daquele Anis Seco Especial da Alcoholera de Chinchón que tem 70 graus: mais 30 do que um whiskey vulgar. Como diz a bela garrafeira espanhola Lavinia.es: "El anís de Chinchón más singular gracias a su alta graduación y su intensidad aromática. En boca es ligeramente ardiente, con notable presencia anisada y buen cuerpo".

A Grécia é nossa comadre. Somos de tamanhos pequenos. Durão Barroso tem sido um nosso fiel agente secreto. Se a Grécia for salva - sendo ainda mais pequena, pecaminosa, antipática, corrupta e endividada do que nós -, a nossa salvação está garantida.

O socorro dos países maiores - a Espanha e a Itália - sai mais caro. É mais fácil e vistoso salvar os pequeninos. Os grandes - a Polónia, a futura Turquia - estão lixados.

Devemos estar com a Grécia e com a Irlanda. Somos salváveis porque somos pequenos. Somos estouvados porque somos periféricos. Nós somos os filhos. Eles são os pais. Eles que resolvam esta merda. A culpa pode ser nossa, mas o problema é deles.

Hoje é a Grécia; amanhã seremos nós. Nas calmas. Mas a Itália e a Espanha serão, graças a Deus, bicos-de-obra.

Nós estamos com (e como) a Grécia. Obrigados!