Estudo

Envelhecimento da população prejudica economia, mas beneficia serviços de saúde

Em 2006, havia um milhão e 820 mil pessoas com mais de 65 anos em Portugal
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Em 2006, havia um milhão e 820 mil pessoas com mais de 65 anos em Portugal Paulo Ricca

O envelhecimento da população vai ter, globalmente, efeitos negativos sobre a economia, apesar de beneficiar indústrias como a dos instrumentos médicos, medicamentos e serviços de saúde, conclui um estudo sobre os impactos económicos do envelhecimento.

Neste trabalho, os investigadores do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) Paula Albuquerque e com João Carlos Ferreira Lopes, quantificam alguns destes efeitos sobre o consumo e a evolução da procura em 55 indústrias nacionais.

"Globalmente, os efeitos do envelhecimento são prejudiciais à economia. O crescimento dos sectores que vão ser estimulados não compensa os que vão ser prejudicados", declarou Paula Albuquerque à Agência Lusa.

A estrutura do consumo vai modificar-se em consequência das alterações demográficas já que o peso da população com mais de 65 anos vai aumentar, explicou a economista, acrescentando, no entanto, que há outros factores que influenciam a procura e que não foram tidos em conta no estudo.

"Não sabemos como vão evoluir os gostos das pessoas, nem como vai variar o seu rendimento e isso também tem influência", afirmou.

Em 2006, as estatísticas oficiais contabilizavam um milhão e 820 mil pessoas com mais de 65 anos (20 por cento da população com mais de 15 anos). Em 2060, serão praticamente o dobro (um milhão e 351 mil pessoas, ou seja, 37 por cento da população com mais de 15 anos).

Os economistas analisaram os efeitos das alterações demográficas sobre 55 sectores de actividade e concluíram que as indústrias ligadas à saúde, como era expectável, vão ser mais procuradas.

Entre os sectores que previsivelmente vão ser estimulados, destacam-se o de "instrumentos médicos, ópticos e de precisão e relógios", em que se prevê que a procura aumente 31 por cento em 2060, e o dos produtos químicos, associados aos medicamentos (24 por cento).

O estudo antecipa igualmente maior procura de actividades ligadas à construção (16 por cento) e um aumento do consumo de água, luz e gás (12 por cento), já que "as pessoas mais velhas estão mais tempo em casa", justificou Paula Albuquerque.

Também a indústria da pesca deverá crescer porque "a população idosa, tendencialmente, consome mais peixe do que os mais jovens".

Mas o estudo conclui também que há sectores que vão sofrer um impacto negativo como os que estão ligados à administração pública e defesa (-14 por cento), educação (-12 por cento), equipamentos de escritório e computadores (-8 por cento) e indústrias de rádio, televisão e telecomunicações (-7 por cento).

O estudo realça que, embora possa existir um aumento do valor da produção ("gross output"), o valor acrescentado e o emprego decrescem e aumenta a importação de bens de produção. Além disso, "os sectores mais estimulados são os que apresentam níveis de formação abaixo da média".