Red Bull Air Race era para levantar voo no Tejo mas afinal irá aterrar no Douro

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Consenso foi anunciado ontem após um almoço entre os dois autarcas RUI GAUDÊNCIO

António Costa e Rui Rio selaram ontem na capital um acordo para a realização alternada da prova. Edição de 2010 deve voltar ao Norte. Portugal mantém-se no calendário até 2013

Tantas piruetas a Red Bull Air Race deu que se arrisca a ir parar ao mesmo sítio: as margens do Douro. Depois de toda a polémica instalada com a escolha da cidade para albergar a corrida de aviões este ano, os presidentes das câmaras de Lisboa e Porto e a própria empresa que dá nome à prova mostraram-se ontem favoráveis a uma inversão de planos. A corrida dos "Fórmula 1 dos céus" deve voltar ao Norte em 2010 e passará a ser feita em alternância entre o Douro e o Tejo, nos próximos quatro anos.

"Estão criadas as condições entre Lisboa e Porto para que o campeonato se possa realizar alternadamente nas duas cidades", revelou ontem o presidente da câmara da capital, António Costa, no final de um almoço com o autarca do Porto, Rui Rio. A Red Bull diz que esta proposta é "interessante" e que está "empenhada em manter Portugal no calendário em termos futuros".

Em comunicado, o presidente da Red Bull, Bernd Loidl, adianta que "foi solicitado à empresa que revisse as opções apresentadas, o que poderá implicar a presença no Porto e Gaia já no calendário de 2010". Isto porque, como Rui Rio também assumiu, "o Porto não terá em 2011 meios logísticos e financeiros que permitam receber a corrida", porque organiza, nesse ano, o Circuito da Boavista.

O próprio António Costa disse ontem não ter nada contra a Air Race no Douro este ano, já que a capital também é anfitriã de um evento de peso: o Rock in Rio 2010. "Convém ao Porto, não desconvém a Lisboa, se convier à Red Bull, tudo bem", disse, ressalvando que falta o acordo das outras câmaras envolvidas (Vila Nova de Gaia e Oeiras) e dos parceiros.

Vítor Costa, presidente do Turismo de Lisboa (TL), disse à Lusa que "sempre houve abertura para que a prova fosse no Porto, mas a organização alegou razões técnicas para que não se realizasse lá". Segundo Vítor Costa, estas limitações já foram ultrapassadas, pois a prova não será exactamente no mesmo local do Douro.

Além disso, a alternância entre as duas cidades trouxe um bónus: manter a prova em Portugal por mais quatro anos. O contrato entre a Red Bull, o Turismo de Lisboa e as autarquias de Lisboa e Oeiras só previa a realização da prova na capital este ano.

Mais complicada pode vir a ser a questão dos patrocínios que já estavam a ser angariados para a Red Bull Air Race em Lisboa. António Costa desdramatizou a questão, dizendo estar "tudo salvaguardado".

Patrocínios? Ainda é cedo

Luís Mergulhão, director do Omnicom Media Group, empresa responsável por angariar patrocínios para a prova na capital, disse ao PÚBLICO ver com bons olhos a alternância entre Lisboa e Porto. Até haver uma decisão final sobre esta edição, o gestor diz que é cedo para falar sobre os patrocínios. Mas garante: "O evento tem projecção nacional e internacional, pelo que não há razão para um recuo dos patrocinadores devido à mudança de localização."

Depois de três edições no Porto, a Red Bull Air Race decidiu mudar-se em Dezembro para o Tejo, alegando "limitações naturais" do rio Douro, que condicionavam o desenvolvimento técnico da corrida aérea.

A decisão levantou críticas em várias frentes, quer entre os comerciantes e a população do Porto, quer em Lisboa, onde a oposição de António Costa denunciou um contrato "leonino" com a Red Bull. O protocolo, aprovado pelo executivo camarário com os votos contra da oposição, previa um custo total de 3,5 milhões de euros. Na falta de patrocínios, a factura seria das autarquias de Lisboa e Oeiras e do TL. No Norte, Gaia e o Porto pagavam 400 mil euros cada uma à Red Bull e o risco comercial ficava com a empresa Extreme. Agora, depois de tanta polémica, a prova deverá voltar ao Norte. Porque a Air Race é mesmo isso - uma prova de acrobacias.