Crítica

Cinerama

Vamos colocar a coisa com uma certa delicadeza: não é Apichatpong Weerasethakul, Steve McQueen ou mesmo Sandro Aguilar quem quer, e Inês Oliveira, apesar do seu olhar prometedor, ainda está longe de lá chegar. A estreia na realização da documentarista vencedora de Vila do Conde em 2003 com o muito interessante "O Nome e o N. I. M." é um objecto hermético, "colagista", que deixa a narrativa convencional para trás ao fim dos primeiros vinte minutos para entrar numa série de visões de um onirismo simbólico-poético que sugerem três curtas-metragens coladas em sequência.


Isoladamente, cada uma delas seria interessante (com destaque para o tom de thriller esparso e desacelerado do primeiro segmento e para a precisão coreográfica do absurdo apocalíptico do segundo, filmado nas ruínas do Panorâmico de Monsanto) mas agrupadas como um todo surgem pretensiosas e desarticuladas, embora haja um verdadeiro olhar de cineasta sobre os actores e algumas boas ideias de encenação à deriva.