Carlos Zorrinho diz que foram operadores que escolheram Magalhães

Mais de 400 mil computadores foram entregues
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Mais de 400 mil computadores foram entregues PÚBLICO

O ex-coordenador do Plano Tecnológico, Carlos Zorrinho, disse hoje que foram os operadores de telecomunicações que escolheram o computador Magalhães, produzido pela empresa portuguesa JP Sá Couto.

“Os operadores [de telecomunicações – TMN, Vodafone e Optimus] escolheram um computador e uma empresa. Foi uma escolha que os operadores fizeram”, afirmou Zorrinho, durante a sua audição na comissão de inquérito à Fundação para as Comunicações Móveis (FCM).

Durante a audição, o ex-coordenador do Plano Tecnológico foi questionado pelo deputado do CDS-PP Hélder Amaral sobre a “paternidade” do computador Magalhães.

“Parece que o computador Magalhães é filho de pai incógnito. Não conseguimos chegar à sua paternidade, a quem teve a ideia”, afirmou Hélder Amaral.

Questionado sobre o apoio do Governo à JP Sá Couto,o actual secretário de Estado da Energia e da Inovação afirmou: “É normal que o Governo apoie uma empresa que adquiriu o direito de produzir em Portugal um computador com uma fortíssima incorporação nacional”.

O ex-coordenador do Plano Tecnológico disse que o memorando de entendimento celebrado entre o Governo e a Intel foi assinado no dia em que a fabricante cedeu à JP Sá Couto o direito de produzir em Portugal.

Em resposta ao deputado do PSD Jorge Costa, Zorrinho garantiu não ter validado quaisquer contrapartidas das licenças para os serviços móveis de terceira geração. “Em nenhum momento esteve nas minhas funções validação de contrapartidas. Não validei”, assegurou.

Questionado pelo deputado do PSD sobre a possibilidade de os computadores Magalhães serem utilizados nas Forças Armadas, Carlos Zorrinho afirmou tratar-se uma possibilidade.

A comissão de inquérito à FCM tem como objectivo saber em que moldes foi adjudicado o fornecimento dos computadores Magalhães à empresa JP Sá Couto e apurar o destino das verbas das contrapartidas - 1300 milhões de euros - das licenças para os serviços móveis de terceira geração.

Os trabalhos da comissão continuam na quarta-feira, com a audição do administrador da ANACOM - Autoridade Nacional de Comunicações Eduardo Cardadeiro.

Já na semana passada, e na mesma comissão de inquérito, o ex-ministro Mário Lino afirmou também que a escolha do Magalhães tinha sido da responsabilidade dos operadores.

No final desta semana, termina o concurso público internacional para escolher o fabricante responsável pelos próximos computadores para crianças a serem distribuídos pelo ensino básico.