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Jorge Costa também sabe desanimar o Dragão

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Foto: Reuters

Foi um jogo com horário à antiga (17h00) e ia tendo um resultado ainda mais antigo: ao Olhanense, que não vence o FC Porto no Porto há 65 anos, faltaram dez segundos para obter o primeiro triunfo como visitante na Liga desde 1974. O clube algarvio desperdiçou dois pontos no Dragão, o que diz bastante sobre a exibição do campeão, que terá perdido qualquer hipótese credível de revalidar o título. O mal menor para os portistas foi o empate (2-2) 
conseguido no último lance do encontro, que não vale de muito face à distância para Benfica e Sporting de Braga.

O jogo começou com o anúncio, na instalação sonora, do apuramento do FC Porto para a final da Taça de basquetebol, mas isso seria praticamente o único lucro que os adeptos do clube no Dragão tirariam da tarde. Passados 16 minutos, só tinham uma perspectiva minimamente positiva do surpreendente 0-2 que o Olhanense, treinado por Jorge Costa, oito vezes campeão pelos “dragões”, tinha construído: ainda havia cerca de 75 minutos (mais os descontos) para recuperar.

E o FC Porto iria necessitar até do último deles para minimizar as perdas. Falcao, servido por Ruben Micael, foi o primeiro a criar perigo, mas Djalmir, na outra baliza, não se limitou a ameaçar. Aos 12’ e aos 16’, primeiro com o peito, depois com o pé, e sempre assistido por Paulo Sérgio, o brasileiro mostrava que, afinal, o FC Porto podia descer mais baixo do que a exibição de Alvalade.

Culpados? A eficácia de Djalmir, a qualidade do Olhanense, sempre mais rápido, mais certo e mais determinado com a bola e nos duelos, e exactamente o oposto do lado contrário - dezenas de passes errados, lentidão, ineficácia (acertar em Ventura e nos ferros não dá prémio), precipitação e uma defesa inédita que não funcionou (Miguel Lopes e Maicon, especialmente, têm motivos para lembrar este jogo como uma má recordação). Sem as poupanças para o Arsenal talvez fosse parecido – nem a entrada de Varela reanimou o FC Porto.

Depois do intervalo, a equipa dedicou-se a acertar no poste (Falcao) e na barra (Belluschi, um inédito médio mais recuado por força das circunstâncias), enquanto os visitantes, com Castro e Ukra a mostrarem qualidade para deixarem de ser cedidos, ameaçaram o 0-3 num par de ocasiões. Pagaram caro não o terem conseguido. A partir dos 80’, alguém do FC Porto deve ter dito que era tempo de acordar e, depois de carregar sem sentido o jogo quase todo (terminou com 21 remates contra apenas seis do adversário), o campeão chegou finalmente aos golos, primeiro pelo inevitável Falcao (17.º na Liga; o 10.º nos últimos sete jogos no Dragão) e depois pelo suplente Guarín. A tempo de conseguir o empate, mas provavelmente tarde de mais para manter-se na corrida pelo título.

Ficha de jogo

FC Porto, 2


Olhanense, 2


Jogo no Estádio do Dragão, no Porto. Assistência
32.809 espectadores.

FC Porto

Helton 6, Miguel Lopes 4 (Valeri 5, 65’), Maicon 5, Bruno Alves 5, Álvaro Pereira 5, Belluschi 6, Tomás Costa 4 (Varela 5, 40’), Ruben Micael 6 (Guarín 6, 78’), Mariano González 5, Rodríguez 4 e Falcao 6.

Olhanense

Ventura 6, João Gonçalves 6, Tengarrinha 7, Miguel Ângelo 5, Carlos Fernandes 6, Castro 7, Rui Duarte 6, Rui Baião 6 (Lionn 5, 53’), Paulo Sérgio 7 (Rabiola -, 88’), Ukra 6 e Djalmir 7 (Yazalde 6, 79’).

Árbitro

Cosme Machado 6, de Braga. 


Amarelos

Miguel Lopes (22’), Rui Baião (36’), Belluschi (42’), Djalmir (61’), Bruno Alves (84’), Falcao (90’) e Ventura (90’).

Golos

0-1, por Djalmir, aos 13’; 0-2, por Djalmir, aos 16’; 1-2, por Falcao, aos 81’; 2-2, por Guarín, aos 90’+4.

Notícia actualizada às 21h39