Editora nega acusação

Maria Teresa Horta acusa Bertrand de censura

Maria Teresa Horta afirma que a Bertrand indicava que o livro estava esgotado
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Maria Teresa Horta afirma que a Bertrand indicava que o livro estava esgotado Enric Vives-Rubio

Maria Teresa Horta acusou hoje a Bertrand Editora de ter censurado o seu romance “A paixão segundo Constança H.” ao ter destruído 500 exemplares do livro, depois de ter sido anunciado que este estava esgotado. A editora nega a acusação e afirma que a destruição dos livros só poderá ter ocorrido devido a um “equívoco” ou “erro administrativo”.

A acusação foi feita à margem do encontro literário Correntes d’ Escritas, que decorre na Póvoa de Varzim: “Se tinham os livros, porque é que não os punham nas livrarias? Se havia pessoas a querer comprar, porque diziam que estava esgotado? Não queriam que o livro estivesse à venda! Isto é censura! Faz lembrar os tempos de antes do 25 Abril. Censura a um autor, não é sequer a um livro...”.

Em causa estão 500 exemplares de “A paixão segundo Constança H.”, publicado em 1994, que a Bertrand destruiu, de acordo com a autora, sem a ter informado. “Por lei, não podem guilhotinar um livro, sem consultar o autor”, defendeu, afirmando que queria ter tido a oportunidade de comprar os seus livros. “Não tenho um exemplar na minha mão”, confessou, dizendo indignada que o caso lhe deixou “uma sensação de morte muito próxima, como se fosse um filho nosso que está morto”.

Maria Teresa Horta contou em declarações à Lusa que o episódio aconteceu “há três, quatro meses, no final do ano passado”, mas “já vinha de trás”, já que à SPA, a Bertrand dizia “que havia livros em armazém”, mas, nas livrarias, “dizia que o livro estava esgotado”.

Eduardo Boavida, da Bertrand Editora, rejeita que tenha havido uma violação dos direitos da escritora. Contactado pelo PÚBLICO, fez saber que foi enviada à Sociedade Portuguesa de Autores (SAP), uma carta, em 2007, onde se informaria a escritora da intenção de destruir os livros e se perguntava se ela pretendia adquiri-los. Aparentemente não houve resposta, acrescentou Boavida, sem adiantar mais pormenores.

O director editorial de a Bertrand explicou por sua vez à Lusa que a destruição de livros “acontece com regularidade”, mas que os procedimentos incluem avisar os respectivos autores. “É uma questão administrativa, não tem nada a ver com censura”, reforçou, acrescentando que “não faz sentido ter um livro de um autor e não o querer vender” e que se não quisesse reeditar o livro explicaria as suas razões.