Enxurradas criam o caos na ilha

Madeira: 40 mortos, 70 feridos e 248 desalojados

O caos no Funchal já levou a tentativas de pilhagem
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O caos no Funchal já levou a tentativas de pilhagem Duarte Sá/Reuters
Militares procuram sobreviventes na baixa do Funchal
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Militares procuram sobreviventes na baixa do Funchal Duarte Sá/Reuters
Ontem à noite o primeiro-ministro José Sócrates - que se deslocou até ao Funchal - anunciou o envio de meios de localização e socorro aos inúmeros desaparecidos
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Ontem à noite o primeiro-ministro José Sócrates - que se deslocou até ao Funchal - anunciou o envio de meios de localização e socorro aos inúmeros desaparecidos Fotografia enviada pela leitora Fátima Fernandes

O secretário regional dos Assuntos Sociais, Francisco Ramos, fez hoje um novo balanço das vítimas das enxurradas na Madeira: 40 mortos, 70 feridos e 248 desalojados. O número de desaparecidos ainda é indeterminado.

O secretário regional apelou ainda para que as pessoas se mantenham em casa para os trabalhos de resgate e recuperação possam decorrer com tranquilidade. O mesmo responsável adiantou igualmente que este balanço de vítimas é ainda provisório.

Ontem à noite o primeiro-ministro José Sócrates - que se deslocou até ao Funchal - anunciou o envio de meios de localização e socorro aos inúmeros desaparecidos, cujo número está ainda por contabilizar.

"A população da Madeira pode ficar tranquila porque terá todo o nosso apoio”, frisou Sócrates, antes de regressar a Lisboa, cerca da meia-noite. O primeiro-ministro manifestou ainda solidariedade com “o povo da Madeira” e deixou “uma palavra de conforto e coragem àqueles que perderam familiares”.

O ministro da Administração Interna, que acompanhou o primeiro-ministro na deslocação ao Funchal para inteirar-se da dimensão da tragédia e avaliar com o executivo madeirense os meios nacionais a mobilizar pelo governo da República, anunciou que hoje de manhã serão enviadas, num avião militar, duas equipas da GNR com cães para ajudar a localizar pessoas desaparecidas. No mesmo avião militar partem mergulhadores das forças especializadas de bombeiros e cinco médicos do Instituto de Medicina Legal para realizar, com a maior brevidade, as autópsias às vítimas mortais.

Tempo melhorou, mas cidade continua um caos

Várias localidades isoladas sem água nem luz no Funchal e da Ribeira Brava, muitas casas e carros destruídos, estradas interditas ao trânsito e um rasto de lama são os sinais materiais visíveis do temporal que ontem assolou a Madeira.

A chuva continua a cair mas com menos intensidade, pelo menos no Funchal, e as máquinas trabalham incessantemente na remoção de entulhos e pedras no centro da capital madeirenses, sobretudo nas zonas do Mercado dos Lavradores, Rotunda do Dolce Vita, Avenida do Mar, da Arriaga e das Comunidades Madeirenses.

As ribeiras cidade estão cheias e as águas lamacentas continuam a correr com força.

Alguns transeuntes circulam nas áreas mais afetadas entre os destroços para recolher imagens e observar in loco os prejuízos que lançaram o caos na cidade.

Entre as localidades em que as populações isoladas fazem apelos por ajuda, estão o sítio das Eiras no Monte, da Serra d’Água, Furna e Pomar da Rocha, bem como na costa norte entre S. Vicente e Porto Moniz, e as comunicações continuam a ser difíceis.

O contacto de alguns deste sítios acontece apenas via rádio, tendo alguns residentes manifestado esperança na chegada das pontes militares que deverão chegar à ilha ao fim da manhã no C-130.

No aeroporto do Funchal, o movimento decorre com normalidade, já aterraram alguns aviões e o quadro de informações confirma os vários voos sem qualquer indicação de atraso e ou cancelamento.

Nesta infraestrutura aeroportuária, algumas equipas de futebol regional aguardam por indicações das federações sobre a realização dos jogos que foram cancelados.

A circulação na via rápida faz-se sem problemas, apesar de alguns dos acessos à cidade do Funchal estarem encerrados, casos da Pena e do Jardim Botânico.

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