Braga ataca justiça da Liga após castigos a Vandinho e Mossoró

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Vandinho sofreu o castigo mais pesado NFACTOS / FERNANDO VELUDO

Minhotos afirmam que vão recorrer das sanções, mas Domingos Paciência garante que a equipa "está preparada para tudo"

A perda de Vandinho, por três meses, e a de Mossoró, por três jogos, deixaram o Sporting de Braga em pé de guerra com a justiça desportiva da Liga. Os dois jogadores, titulares indiscutíveis dos minhotos, foram ontem castigados pela Comissão Disciplinar (CD) na sequência dos incidentes à entrada do túnel de acesso aos balneários do estádio de Braga, durante a recepção ao Benfica, para a 9.ª jornada da Liga, a 31 de Outubro do ano passado. Os minhotos reagiram violentamente e acusaram o órgão disciplinar de parcialidade e de pretender travar, fora dos relvados, a boa temporada da equipa.

"Existem mais de dois pesos e duas medidas. Há uma total inclinação por parte do dr. Ricardo Costa [presidente da CD] em punir alguém que se tem afirmado dentro de campo, que é a equipa do Sp. de Braga. E como não tem sido possível derrotá-la dentro do campo, esta acção visa tornar-nos mais fracos. Mas ele [Ricardo Costa] que se desengane." Foi com estas palavras duras que o habitualmente discreto Carlos Freitas, director-geral da SAD (Sociedade Anónima Desportiva) bracarense, reagiu às decisões disciplinares.

Particularmente gravosa para os minhotos foi a suspensão por três meses do médio defensivo Vandinho, impedido de competir até à derradeira jornada da Liga (e multado em 1500 euros), por tentativa de agressão ao treinador-adjunto do Benfica Raul José. Um acto que a CD da Liga deu como provado, após o visionamento de imagens televisivas da SIC.

Carlos Freitas questionou o timing desta decisão, um dia depois do encerramento do mercado de transferências de Inverno, já que os incidentes que a motivaram ocorreram há mais de três meses. Segundo o responsável, caso o castigo tivesse sido antecipado, permitiria aos arsenalistas atenuarem esta ausência prolongada, com a contratação de um reforço (mesmo assim, num gesto de antecipação, a SAD garantiu o empréstimo do maritimista Olberdam antes do encerramento das inscrições), ou até minimizar os efeitos financeiros do castigo: "Houve propostas por Vandinho, que o Sp. Braga rejeitou."

Para além de Vandinho, os minhotos vão ainda perder por três jogos Mossoró (e multa de mil euros), que regressará a tempo de enfrentar o FC Porto para o campeonato. O médio foi condenado por agressão consumada, "sob forma continuada", a Óscar Cardozo, assim como Ney (dois jogos de suspensão e 1500 euros de multa), que foi entretanto emprestado ao Vitória de Setúbal. Mais leve foi a pena atribuída ao avançado Alan, sancionado em 750 euros, por comportamento incorrecto.

Tal como Carlos Freitas, também Domingos Paciência criticou a oportunidade da decisão da CD da Liga, já que impossibilitou "uma melhor preparação" da recepção de hoje (18h15) ao Rio Ave, para os quartos-de-final da Taça de Portugal. Qualificando de "injustas" as suspensões de Vandinho e Mossoró, considerou que o plantel tem soluções "à altura" para para substituir os dois jogadores. "O povo português é inteligente para perceber o que se passa, mas isto é mau para o futebol português porque é denegrir a sua imagem nos meios internacionais", defendeu.

Multada foi ainda a SAD minhota, em 3500 euros, por desrespeito do segredo processual, e em outros 1250, por não ter assegurado "a ordem e a disciplina" no recinto do jogo. Por todos estes castigos, os bracarenses já anunciaram que vão recorrer para o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, órgão máximo da hierarquia disciplinar desportiva.

Do lado do Benfica, o médio Ramires foi o único jogador castigado, com uma coima de 400 euros, também por mau comportamento. Ligeiramente mais pesadas foram as penas atribuídas aos funcionários "encarnados" Rui Simões, director de segurança (500 euros), José da Cruz (500 euros) e José Ribeiro (750 euros), membros do staff técnico.