O Paço da Ribeira no início do século XVI

Foto
antónio pacheco/museu carlos machado

Quatro pinturas que fazem parte da exposição Casa Perfeitíssima contam a história dos martírios dos santos Veríssimo, Máxima e Júlia e foram emprestadas pelo Museu Carlos Machado, de Ponta Delgada. O que é curioso, sublinha Alexandra Curvelo, comissária científica da exposição, é que na tábua relativa à Chegada a Lisboa se vê ao fundo o Paço da Ribeira.

"A pintura data de 1530 e dá-nos a imagem do Paço da Ribeira na transição do reinado de D. Manuel para o de D. João III", explica. É, segundo a investigadora, "uma das pouquíssimas pinturas" daquele edifício na primeira metade do século XVI. "Podemos ver o torreão, que entrava pelo rio, e aquele passadiço, ou galeria, sob o qual estavam os armazéns da Índia. É um Paço absolutamente cenográfico."

Sobre as pinturas sabe-se pouco. Alexandra Curvelo admite que possam ser de uma oficina lisboeta e chama a atenção para o facto de retratarem "uma iconografia muito pouco comum, a dos santos mártires de Lisboa", mortos no ano de 303 durante a perseguição aos cristãos decretada pelo imperador Diocleciano. A primeira mostra a Anunciação do Martírio, a segunda a Chegada a Lisboa, a terceira a Flagelação e a quarta e última a Morte por Arrastamento.

O desembarque mostra uma das santas a sair de uma embarcação, ajudada por S. Veríssimo. A imagem é representada a partir de terra no local que ficou conhecido como Terreiro do Paço e a que hoje chamamos Praça do Comércio.

"Dessa época [início do século XVI], em termos de pintura da Lisboa ribeirinha temos apenas algumas iluminuras da autoria de António da Holanda", afirma Alexandra Curvelo.