Obras para metropolitano leva a suspensão da ligação ferroviária

Utentes do ramal da Lousã queixam-se de atrasos nos transportes alternativos

Há um mês que o serviço ferroviário se encontra interrompido entre Serpins e Mirando do Corvo
Foto
Há um mês que o serviço ferroviário se encontra interrompido entre Serpins e Mirando do Corvo Carlos Lopes

No primeiro dia da suspensão da circulação ferroviária no ramal da Lousã, que liga Serpins a Coimbra, os utentes fizeram críticas aos autocarros que fazem as ligações entre as localidades que eram até agora abrangidas pelo comboio. Segundo os passageiros, além dos atrasos há ainda a questão da morosidade das viagens e da falta de informação sobre horários.

“Estou muito preocupado com os atrasos. Vou ter problemas com o meu patrão”, lamentou Bruno Alves, cerca das 09h10, depois de se apear junto à Estação do Parque, em Coimbra, proveniente da Lousã. Este utente saíra da Lousã às 07h45 e questionava-se se teria de apanhar um comboio às 06h30 para poder estar a horas no seu emprego em Coimbra.

A preocupação em relação à maior duração da viagem e às acrescidas contingências de um transporte rodoviário dominaram os discursos dos passageiros interpelados pela agência Lusa à chegada a Coimbra.

A partir de hoje, e previsivelmente durante dois anos, os utentes do serviço ferroviário entre Serpins (Lousã) e Coimbra terão de utilizar em alternativa os transportes rodoviários disponibilizados pela empresa pública Metro Mondego SA. até que fique concluída a instalação de um metropolitano ligeiro de superfície.

Desde há um mês que o serviço ferroviário se encontra interrompido entre Serpins e o município de Mirando do Corvo, devido ao arranque das obras naquele troço.

Mas se os utentes manifestam-se apreensivos, a Metro Mondego faz um balanço positivo do primeiro de dia de alterações nos transportes. “Para o primeiro dia não correu tão mal”, declarou Alexandra Quaresma, uma responsável da empresa, acrescentando que nesta primeira semana será dada especial atenção às reclamações dos utentes, para se introduzirem alguns acertos de horários, e eventualmente de reforço de alguma carreira em certos períodos do dia.

Alguns dos problemas detectados hoje relacionaram-se com a falta de informação revelada por muitos utentes, nomeadamente de horários e sobre os locais de compra de bilhetes, o que gerou alguns atrasos, acrescentou.

Entre os municípios de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã são realizados 80 serviços diários de autocarro e, segundo Alexandra Quaresma, há ligações directas entre a Lousã e Coimbra em menos tempo que a duração anterior da viagem de comboio.

Clementina e Bruno Henriques, que se deslocaram da Lousã, a primeira para uma consulta médica, e o segundo para tratar de “vários assuntos”, também acentuaram a preocupação em relação à maior duração da viagem, em cerca de 10 minutos.

Adelina, que habitualmente se desloca à localidade do Meiral, na Lousã, para visitar uma filha, hoje arranjou uma alternativa particular para chegar a Coimbra, pelo receio das perturbações do primeiro dia.

Já utilizara anteriormente o autocarro no percurso entre o Meiral e Miranda do Corvo, porque esse troço de via já se encontra em obras, e essa experiência leva-a a concluir que quem quer estar a horas em Coimbra vai ter de utilizar a carreira anterior, porque a viagem demorará mais tempo.

A mesma opinião foi expressa por Teresa Baptista e Nazaré Duarte, que esta manhã se deslocaram de Ceira, freguesia do concelho de Coimbra, para a sede do município.