Estádio do Marco de Canaveses deixou de se chamar Avelino Ferreira Torres por decisão unânime da câmara

O antigo presidente da câmara também deseja uma mudança de nome, mas critica a Comissão de Toponímia local

A Câmara do Marco de Canaveses aprovou por unanimidade, na reunião do executivo de dia 10, o fim da designação Estádio Avelino Ferreira Torres, que passou a chamar-se Estádio Municipal do Marco de Canaveses. A votação não contou com os dois vereadores do movimento Marco Confiante com Ferreira Torres - o próprio Avelino Ferreira Torres e Natália Ribeiro.

Manuel Moreira, presidente da Câmara, remetera a proposta de mudança de nome para a recentemente criada Comissão Municipal de Toponímia (CMT) e para a Junta de Freguesia de Fornos, onde se situa o estádio. Para além da denominação que viria a ser aprovada pelo executivo da câmara, Manuel Moreira juntou também uma proposta de Avelino Ferreira Torres que preconizava a mudança de nome para Estádio Futebol Clube do Marco. Inclusive, esta alteração foi uma das promessas que Ferreira Torres fez na recente campanha autárquica. No entanto, tanto a CMT como a junta de freguesia optaram por aprovar a designação escolhida por Manuel Moreira.

Em declarações ao PÚBLICO, o presidente da câmara não quis comentar se a CMT visa diminuir a profusão de artérias no concelho que ostentam o nominativo do antigo presidente da câmara. Também recusou dizer se, para além do caso do estádio, estão na calha mais anulações de topónimos Avelino Ferreira Torres. No entanto, Manuel Moreira entende que "não é normal que num concelho haja uma pessoa com 30 artérias com o seu nome; é um exagero e um culto à personalidade desnecessário".

Também o presidente da CMT, Lino Tavares Dias, garante que a comissão, cujos pareceres não são vinculativos, se pronuncia com independência e não está sujeita a qualquer orientação imposta pela maioria na Câmara do Marco. "Recebi um convite pessoal exclusivamente para dar a minha contribuição do ponto de vista cultural e científico. Não há nenhuma condicionante nem nenhuma intenção", vincou Lino Tavares Dias.

Por seu turno, Ferreira Torres recordou a génese da anterior designação do estádio, para além do facto de ele próprio ter proposto a retirada do seu nome durante a última campanha para as eleições autárquicas. Segundo o agora vereador da oposição, a designação de Estádio Avelino Ferreira Torres foi votada por unanimidade pelo Futebol Clube do Marco, quando esta colectividade ainda era dona do estádio. Ferreira Torres, então presidente da câmara, garante que tentou recusar, antevendo até futuros problemas, mas acabou por aceitar "por respeito a quem tinha votado o nome por unanimidade".

O antigo presidente da câmara descreveu também como é que se procedia nos seus mandatos ao nível da toponímia. "No meu tempo, a câmara aprovava tudo o que aparecia proposto pelas juntas de freguesia. Nós nunca rejeitávamos nenhum nome porque as juntas de freguesia é que melhor sabem aquilo que hão-de fazer." Já sobre a constituição da CMT, Ferreira Torres critica: "A comissão tem sete elementos, mas só dois ou três é que poderão ter aproveitamento para o efeito. O resto faz lembrar o tempo salazarista da União Nacional em que as comissões tinham de ser do regime".

Avelino contesta prazosAvelino Ferreira Torres e a outra eleita do movimento Marco Confiante com Ferreira Torres, Natália Ribeiro, optaram por não participar na reunião do executivo camarário do passado dia 10 porque a consideram ilegal. Avelino Ferreira Torres pondera, inclusive, apresentar uma providência cautelar que suspenda as decisões tomadas naquela reunião, visto que, segundo garante, a entrega dos documentos sobre o orçamento e plano para 2010 "não respeitou" o período de 48 horas de antecedência previsto na lei. O vereador da oposição está ainda a pensar "propor um processo disciplinar ao funcionário" que elaborou um parecer a dizer que a referida entrega respeitou a lei.