Fábrica de lápis

Viarco muda de segmento e lança três inovações mundiais

A Viarco é a única fábrica de lápis em Portugal
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A Viarco é a única fábrica de lápis em Portugal Fernando Veludo (arquivo)

A fábrica de lápis Viarco, única em Portugal nesse sector, lançou este mês no mercado internacional três produtos que são estreias mundiais e reflectem a mudança de segmento que a empresa está a atravessar.

Aguarela de grafite para pintura, barras de grafite aguarelável para uso em grandes superfícies e um estúdio portátil com utensílios incluídos são os artigos que José Miguel Vieira Araújo, administrador da Viarco, garante serem “inovações totais a nível mundial”.

Integram a linha ArtGraf, vocacionada para os técnicos das artes plásticas e design, e “asseguram a diferenciação da marca em relação à concorrência”, numa “mudança radical” da área de negócios da Viarco, até aqui assente em materiais escolares.

“Transferir um modelo de negócio para o outro requer tempo, mas estamos pela primeira vez a apostar na exportação da Viarco enquanto marca e não como prestadora de serviços contratados por terceiros”, diz Vieira Araújo.

À venda em França e na Alemanha

Os novos produtos da empresa de São João da Madeira já estão a ser comercializados em Portugal, Alemanha e França, devendo brevemente chegar também a Espanha e aos Estados Unidos.

O administrador da Viarco adianta que “a aceitação tem sido óptima”, o que não o surpreende, considerando que esses artigos “foram concebidos graças a sugestões da própria comunidade artística”.

A aguarela de grafite, por exemplo, nasceu de uma proposta do pintor José Emídio, que, segundo José Vieira Araújo, ambicionava usufruir de um meio riscador que lhe permitisse aplicar aos trabalhos a pincel “toda a escala de grafite que antes só se obtinha com o lápis”.

Depois de vários testes, a ideia materializou-se “numa nova forma de expressão plástica”, que pode aplicar-se em papel, tela e madeira”, revelando “um potencial de exportação enorme”.

A barra de grafite aguarelável, por sua vez, resulta de sugestão do escultor Isaque Pinheiro, que pretendia “um toque de grafite resistente com que pudesse atacar as pedras”, intervindo “directamente no espaço para desenhos em larga escala, no chão e nas paredes”.

A Viarco criou então, de forma “totalmente artesanal, com equipamento do século XIX”, uma barra de 250 gramas que combina as funcionalidades da grafite sólida com as da grafite diluível, proporcionando “todo um leque de possibilidades entre os traços bem definidos e a transparência”.

“Sem prazo de validade como os óleos e acrílicos”, a barra “tem ainda a vantagem de não perder as suas capacidades de pigmentação”, representando para a Viarco “uma oportunidade de mercado brutal”.

Já o novo estúdio portátil da Viarco destaca-se pelo conceito de “notebook”. Apresenta seis encastres para aguarela de grafite, lápis de duas durezas, um pincel e um bloco A6, que acomoda na vertical ou na horizontal. Inclui ainda uma afia embutida no próprio estojo e um íman “que lhe permite funcionar como cavalete em qualquer lugar”.

“Em madeira e de fabrico manual do princípio ao fim, é um produto caro, mas o facto é que as pessoas o compram”, observa José Vieira Araújo. “É esta, potencialmente, a nossa área de negócio mais interessante no futuro”.