Ainda se joga Elifoot 22 anos depois

Elifoot não é um grande clássico dos videojogos. É um jogo amador, de gráficos rudimentares e que está de fora dos circuitos comerciais. Mas é um jogo que está na memória de muitos portugueses. Mais de duas décadas depois de ter sido lançado, Elifoot continua a ter adeptos - e saem novas versões todos os anos.

Elifoot foi criado em 1987 pelo lisboeta André Elias, aliás, é o apelido do criador que dá o nome ao jogo. Elias tinha 17 anos quando decidiu fazer um jogo de treinadores de futebol. "Decidi-o para eu próprio jogar", recorda.

Entre 1987 e 1994, criou quatro versões de Elifoot. E foi nos primeiros anos de 1990 que o jogo ganhou muita popularidade: era gratuito, fácil de jogar e passava pelos amigos de disquete em disquete. Podia ser jogado por várias pessoas ao mesmo tempo, cada uma a assumir o papel de treinador de uma equipa. Mas os vários treinadores tinham de se acotovelar em frente ao mesmo computador, usando à vez o teclado para comprar e vender jogadores, decidir o 11 inicial e assistir às partidas.

Depois de 1994, porém, "o jogo parou um bocadinho". André Elias estava a tirar o curso de Engenharia Industrial e o tempo não dava para tudo. Foi em 1996, já a trabalhar como consultor industrial, que resolveu fazer uma pesquisa no motor de busca Altavista para saber o que tinha acontecido a Elifoot. E foi com surpresa que descobriu que este tinha muitos adeptos no Brasil. "Já que as pessoas jogam tanto, vou tentar ter algum retorno", pensou. E deste raciocínio surgiu, em 1998, a primeira versão paga, para descarregar da Internet.

Comercialmente, Elifoot não é um sucesso. "O número de licenças compradas é muito reduzido", admite André Elias, que não quer revelar números. "Há muitas pessoas que jogam, mas não compram. A pirataria é muito grande."

O jogador é responsável pela gestão desportiva e financeira do clube e as decisões (contratações, salários, novos estádios) influenciam factores como a motivação e o desempenho de cada futebolista do plantel - e é o complexo algoritmo que integra todas as variáveis que André Elias diz ser o grande segredo do jogo. "Tive a sorte de ter estudado muita matemática e muita estatística."

Vender Elifoot a uma empresa que o pudesse desenvolver seria um bom desfecho para duas décadas de trabalho, admite o criador. E até já houve alguns contactos, que não passaram disso. Por ora, Elias vai continuar a trabalhar "em part-time" no projecto. A versão 2010 chega o mais tardar em Fevereiro.