História do Orpheon Portuense já disponível

O recital que o pianista austríaco Paul Badura-Skoda (n. 1927) vai fazer, hoje às 18h, na Casa da Música, tem um antecedente histórico relevante para o Porto. Há 55 anos, o notável intérprete vienense estreou-se na cidade num concerto no Teatro de São João, onde tocou Mozart e Chopin com a Orquestra Sinfónica do Conservatório do Porto.

A organização do concerto coube então - como acontecia desde há mais de meio século, e continuaria a ocorrer nas décadas seguintes - ao Orpheon Portuense, associação fundada em 1881 por Bernardo Valentim Moreira de Sá (1853-1924) e extinta em 2008, quando era presidida pela sua neta, a violoncelista Madalena Sá e Costa. O espólio do Orpheon foi na altura doado à Casa da Música, que se obrigou a conservá-lo, inventariá-lo e colocá-lo à disposição dos estudantes e investigadores interessados.

Concluído que foi esse trabalho, no âmbito dum protocolo com o Centro de Investigação e Tecnologias da Arte (Citar) da Universidade Católica, a Casa da Música aproveitou o regresso à cidade de Badura-Skoda para anunciar a abertura do espólio documental do Orpheon aos investigadores. Nele está não só o mobiliário que serviu a sua última sede histórica na Praça da Batalha, como, e principalmente, a memória documental preservada nos programas dos concertos e nos famosos Anais em que eram registadas as actividades do Orpheon. E está também a cadeira onde se sentou Maurice Ravel para o recital que fez no Teatro de São João, em 1928. Pablo Casals, George Enesco, Jan Panderewski, mas também Guilhermina Suggia, Vianna da Motta ou Luís de Freitas Branco, são alguns das centenas de músicos que ao longo de mais de um século fizeram a história musical do Porto.