Estudo

Maioria dos pais prefere que filhos estudem pelos manuais

Os inquiridos apontam dois problemas habituais: o peso do conjunto de manuais e o preço
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Os inquiridos apontam dois problemas habituais: o peso do conjunto de manuais e o preço Ana Luísa Silva (arquivo)

A grande maioria dos encarregados de educação (80 por cento) prefere os manuais escolares a outros recursos e 70 por cento dos alunos gosta de estudar por estes livros, segundo um estudo realizado pelo Observatório dos Recursos Educativos.

O trabalho revela que a opção dos pais se deve essencialmente à possibilidade de tratamento de todos os conteúdos num único recurso educativo e também a uma questão de confiança, já que o manual é normalmente “o guião do professor”, disse o coordenador do estudo, Adalberto Dias de Carvalho.

“A quase totalidade dos pais (97 por cento) considera os manuais escolares importantes para o acompanhamento do trabalho escolar” dos educandos, sendo que destes 60 por cento atribui “grande importância” a este recurso educativo para tal efeito. Os autores do trabalho referem também que os manuais escolares favorecem uma maior proximidade entre pais e filhos, “potenciando habitualmente temas de discussão”.

Entre os alunos, apenas cinco por cento afirma nunca consultar as sugestões de livros, filmes e sítios na Internet propostas nos manuais. “A grande conclusão é que no contexto de uma acelerada evolução dos recursos educativos a que estamos a assistir, designadamente pelos contributos que trazem as tecnologias da informação e comunicação, o manual escolar conserva um lugar primordial entre os instrumentos que os alunos utilizam nas várias idades”, afirma o especialista.

Por outro lado, indica, os manuais “não bloqueiam o acesso a outras fontes de informação e formação”, uma vez que tanto as crianças e jovens como os pais utilizam indicações fornecidas nos manuais para outras pesquisas. Os manuais escolares são dos poucos ou até mesmo os únicos livros que agregados familiares com maiores dificuldades “vêem entrar nas suas casas”, sublinha o investigador.

Como principais pontos fracos, os inquiridos apontam dois problemas habituais: o peso do conjunto de manuais que os estudantes têm de transportar regularmente (15,51 por cento das respostas) e o preço dos livros (11,11). Dos pais inquiridos, 90 por cento manifestou ter como prática habitual consultar os manuais escolares, enquanto 95 por cento referiu fazê-lo mais de cinco vezes por ano.

O estudo baseia-se num inquérito online a 552 pessoas, que se pronunciaram através dos sites da Confap e do Portal da Educação sobre “Os manuais escolares na relação escola-família”. Dos três grupos de inquiridos - encarregados de educação (464), alunos do 1.º e 2.º Ciclo (57) e do 3.º Ciclo (31) - a percentagem mais elevada pertence aos distritos mais populosos do país. Aos inquéritos dirigidos aos encarregados de educação, responderam 377 mulheres e 87 homens.

Este observatório é apoiado pela Porto Editora e visa assegurar a recolha, compilação, tratamento, produção e divulgação de informação, bem como promover estudos relativos aos recursos educativos utilizados em Portugal e no estrangeiro.

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