Crítica

Porque é que ele não acaba com as baladas?

É um bom disco pop, talvez um pouco demasiado auto-consciente dos seus truques

O único problema de "Between Waves" surge quando David Fonseca envereda pela proto-baladas: "(Baby) all I ever wanted", "U know who I am", "It''s just a dream II" ou "Little things II" não são mal escritas, mas a voz não nos convence que haja ali verdadeira fundura. Tirando isso, é possível que o ex-líder dos Silence 4 tenha escrito o seu melhor disco, criando uma folk-pop onírica e psicadélica quase sempre melodicamente eficaz, como é comprovável na óptima "There''s nothing wrong with us", que abre com uma frase de xilofone, vai por aí fora disparada em registo power-pop, engorda com órgãos e mais órgãos adicionados até um final explosivo.

Há jóias como "Walk away when you''re winning", em que uma figura de guitarra cria a impressão de estarmos no meio do Hawai a beber leite de coco, antes de metais e bateria em marcha militar entrarem em registo épico. Há citações ao David Byrne pós-Talking Heads, aos Kinks ("Stop 4 a minute"), aos Buggles ("Morning tide"), há órgãos, harmónicas, acordeões, metais, cordas (como no belo single "A cry for love"), tudo o que seja necessário para engrandecer as canções. É um bom disco pop, pejado de arranjos imaginativos e, quando muito, talvez um pouco demasiado auto-consciente dos seus truques.